Combustíveis Disparam, Divisas Continuam Sob Pressão e Gás

Combustíveis Disparam, Divisas Continuam Sob Pressão e Gás

advertisemen tA semana econômica foi marcada pelo agravamento das pressões externas sobre a economia moçambicana, em um contexto em que o aumento dos preços dos combustíveis, a persistente escassez de divisas e a redefinição da estratégia nacional para o gás natural reforçam os desafios de estabilidade macroeconômica e segurança energética do País. A escalada do conflito no Oriente Médio continua a produzir efeitos diretos sobre economias importadoras líquidas de combustíveis, como Moçambique. Nesta semana, o governo avançou com um reajuste significativo nos preços dos combustíveis, com destaque para o diesel, que registrou um aumento de mais de 45%, passando a custar 116,25 meticais por litro, enquanto a gasolina subiu mais de 12%, ficando em 93,69 meticais. A decisão ocorre em um momento particularmente sensível para o mercado nacional, marcado por dificuldades de abastecimento, fechamento de postos e limitações na aquisição de combustíveis em diversas regiões do País. Segundo a Autoridade Reguladora de Energia (ARENE), o ajuste reflete o impacto da alta dos preços internacionais causada pela instabilidade geopolítica no Golfo Pérsico, região por onde transitam cerca de 80% das importações moçambicanas de combustíveis. O agravamento dos preços energéticos reforça os riscos inflacionários e aumenta a pressão sobre os custos de produção, transporte e distribuição de bens essenciais, podendo comprometer a recuperação gradual da atividade econômica. O Executivo admite, inclusive, a possibilidade de uma revisão orçamentária “em caso extremo”, caso o conflito internacional cause um novo choque maior do petróleo. Ao mesmo tempo, os constrangimentos no acesso à moeda estrangeira continuam a pressionar a economia nacional. Dados apresentados no Parlamento pela ministra das Finanças, Carla Loveira, indicam que as transações cambiais entre bancos comerciais e clientes totalizaram cerca de 3,5 bilhões de dólares no primeiro trimestre de 2026, mantendo-se em linha com a média histórica dos últimos cinco anos, apesar da escassez de divisas no mercado. Segundo o Executivo, o atual quadro de liquidez externa segue condicionado aos impactos das manifestações pós-eleitorais de 2024, à desaceleração do apoio direto ao Orçamento da União e à crescente pressão sobre importações consideradas essenciais. Ainda assim, o Governo sustenta que as medidas monetárias e fiscais adotadas desde 2025 contribuíram para estabilizar parcialmente o mercado de câmbio. Governo avançou com reajuste significativo nos preços dos combustíveis, com destaque para o diesel, que registrou aumento de mais de 45% Entre as principais medidas avançadas pelas autoridades destacam-se a redução do coeficiente de reservas obrigatórias em moeda estrangeira, o reforço da obrigatoriedade de conversão das receitas de exportação e a priorização da alocação de divisas para setores estratégicos, incluindo combustíveis, medicamentos e produtos alimentícios. Nesse contexto de vulnerabilidade externa, a agência de classificação financeira S&P Global Ratings alertou que Moçambique está entre os países africanos mais expostos ao agravamento do risco de crédito soberano caso o conflito no Oriente Médio se prolongue. A instituição considera que o aumento dos custos de importação de combustíveis e fertilizantes poderia intensificar as dificuldades fiscais e pressionar ainda mais as economias dependentes de financiamento externo. A vulnerabilidade moçambicana resulta da forte dependência de importações de energia, da profundidade limitada do mercado financeiro interno e da pressão contínua sobre a balança de pagamentos. Embora o País tenha mantido relativa estabilidade inflacionária nos últimos meses, os riscos associados à inflação importada permanecem elevados, sobretudo diante da volatilidade dos mercados internacionais de energia. É nesse cenário que o gás natural aparece cada vez mais como eixo central da estratégia econômica do Estado. A proposta de revisão da Lei de Petróleo estabelece que pelo menos 25% do gás natural liquefeito (GNL) produzido em Moçambique deverá ser reservado ao mercado interno para consumo nacional. A medida representa uma mudança estratégica relevante na política energética nacional, buscando fortalecer a segurança energética, estimular a industrialização e ampliar os benefícios internos dos megaprojetos de gás da bacia do Rovuma. O Governo defende igualmente maior controle sobre as receitas do setor e um reforço do papel regulador do Instituto Nacional de Petróleo (INP). A revisão legislativa também busca garantir maior participação do Estado nos projetos de petróleo, reduzir riscos financeiros associados ao investimento público no setor e assegurar maior fiscalização sobre custos recuperáveis ​​e obrigações sociais das concessionárias. Texto: Felisberto Rucoa dvertisement

Publicar comentário