Produção de azeite em Portugal quintuplicou nos últimos 26

Produção de azeite em Portugal quintuplicou nos últimos 26

“Desde o início do século até os dias de hoje (ou seja, a este ano), quintuplicámos a produção nacional, em média”, destacou o presidente do Centro de Estudos e Promoção do Azeite do Alentejo (CEPAAL), Manuel Norte Santo. Em declarações à agência Lusa, à margem do Congresso Nacional do Azeite, que decorre hoje naquela cidade, no distrito de Beja, o responsável lembrou que, na campanha de 2025-2026 a produção de azeite em Portugal atingiu as 160 mil toneladas. Segundo o mesmo responsável, essa quantidade representa, “levando em conta o valor médio a que está sendo comercializado o azeite a granel, 700 milhões de euros” para o país. Manuel Norte Santo precisou que “mais de 50%” do azeite produzido ainda é comercializado a granel, sobretudo para exportação, mas sustentou o CEPAAL está empenhado em criar “uma valorização superior deste azeite”, através da criação “de uma marca ‘chapéu’ de azeite português”. Dessa forma, será possível que essa marca seja “mais valorizada e tenha mais projeção, para que esses 700 milhões possam se manter em Portugal e se comercialize mais com o carimbo de azeite português”, ressaltou. “O que pretendemos é que esses mais de 50% não sejam vendidos a granel, mas sim que sejam embalados, que sejam vendidos, que estejam nas prateleiras com a marca de azeite nacional, ficando cá essa mais-valia, ao invés de ficar em Espanha ou Itália”, esclareceu. O setor oleícola tem vivido “uma transformação muito grande a nível da produção, seja no olival como nos lagares, que são de última geração”, salientou, mas o país “muitas vezes ignora esta vantagem comercial, este valor económico que pode reter com a criação de marcas”. E, em termos de área de plantio dessa cadeia, segundo o presidente do CEPAAL, também houve “um grande crescimento”. Portugal tem agora “3,5 mil hectares de olival, grande parte no Alentejo, especificamente no Baixo Alentejo”, graças ao perímetro de irrigação criado pelo projeto da albufeira do Alqueva. “Ainda há um crescimento que pode acontecer, há potencial para isso. A questão é também conseguirmos, em outras áreas do nosso território, fazer o que está sendo feito na Bahia”, disse. Também à margem do congresso, parte da Feira Nacional de Olivicultura — Olivomoura, Gonçalo Moreira, gerente de projetos da Olivum – Associação de Olivicultores e Lagares de Portugal, ressaltou que, apesar dos 10% de queda na produção de azeite deste ano, em relação a 2025, estão sempre entrando em produção “novos olivais e novas áreas produtivas”. “Nós fomos o primeiro país do mundo a trocar olival moderno por olival ainda mais moderno. Nos últimos anos, temos visto uma reconversão de olival em vaso, que é um olival que teria até 800 árvores por hectare, por olivais em cerca viva, que têm mais e uma capacidade produtiva muito maior”, argumentou. Por isso, Gonçalo Moreira disse acreditar que, “muito em breve”, com essas novas áreas em cerca viva, a curva de produção “voltará a crescer, como aconteceu nos primeiros 20 anos” deste século. E nem serão necessários terrenos com irrigação. “Temos o potencial de podermos instalar novos olivais em sequeiro, mesmo que sejam em sequeiro. Há um grande interesse por parte dos produtores neste formato de olival, ou seja, mesmo não havendo água, nós podemos fazer a instalação de um olival em sequeiro, desde que o terreno assim o permita”, revelou. Daí o representante da Olivum compartilhar perspectivas animadoras para os próximos anos: “O valor recorde de produção em Portugal foram as 206 mil toneladas de azeite e acreditamos que, dentro de três a cinco anos, consigamos atingir cerca de 300 mil”, colocando Portugal “no segundo lugar do ‘ranking’ europeu e no terceiro ou quarto mundial”. Leia Também: Produção de azeite em Portugal deve cair para 160 mil toneladas

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