UGT acusa Governo de ter minado confiança com “constante

UGT acusa Governo de ter minado confiança com "constante

Em documento entregue para ficar na ata da reunião de hoje, distribuído aos jornalistas no final do encontro realizado em Lisboa, a União Geral de Trabalhadores (UGT) registra os “aspectos menos positivos” do processo de negociação. “O constante avanço e recuo de propostas” do Governo de Luís Montenegro tornou “incerto o resultado e minou a confiança para o momento seguinte”, escreve. A central sindical liderada por Mário Mourão afirma que as “opções de compromisso” apresentadas pela UGT “em matérias importantes, como a jornada contínua e o banco de horas individual, foram rejeitadas no quadro dos avanços e recuos de posição do Governo em muitas matérias”. A central sindical diz que o executivo, depois de aceitar propostas para incluir a jornada contínua como um direito e para aumentar as férias, retirou essas sugestões, considerando que esse desaparecimento corresponde a “recuos que dificilmente” a central entende, “a não ser à luz de negociações futuras em outra sede”. “A UGT entende que as propostas são evolutivas – os potenciais consensos da UGT, nunca tão extensos como anunciado, sempre foram também condicionados a ganhos globais que nunca se verificaram – mas, ainda assim, a mudança de posicionamento foi muitas vezes inusitada e incompreensível”, critica. No mesmo documento, a central acusa Governo de só ter querido negociar o que lhe interessava, “a partir de um anteprojeto profundamente desequilibrado e com o qual se tentou condicionar a negociação”. A UGT deixa ainda um reparo ao Governo por, nos últimos meses, ter optado por negociar as alterações à legislação laboral à margem da Comissão Permanente da Concertação Social (CPCS). Nos últimos meses, o Governo realizou algumas reuniões no Ministério do Trabalho, para as quais convidou as quatro confederações empresariais e a UGT, deixando a CGTP de fora por considerar que desde o início se colocou à margem da negociação ao pedir a retirada da reforma. Para a UGT, “a transformação das reuniões ‘fora de casa’ de mero auxiliar à negociação na própria negociação não contribuiu para a transparência, para a segurança e mesmo para a contenção de discurso que se exige quando lidamos com temas que impactam na vida dos trabalhadores, das empresas e do país”. A UGT escreve ainda que gostaria que todas as suas propostas tivessem “merecido uma atenção diferente” do Governo e cita um episódio concreto, lembrando que isso teria evitado que a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Rosário Palma Ramalho, “tivesse nomeadamente informado incorretamente os deputados da Comissão de Trabalho da Assembleia da República sobre a inexistência de propostas da UGT em matéria de trabalho noturno ou por turnos”. No documento, a UGT lista dez mudanças trabalhistas que considera serem “os aspectos mais danosos” da reforma. Entre esses pontos, cita a ampliação dos fundamentos dos contratos por prazo determinado, a não reintegração de empregados à empresa da qual foram demitidos ilicitamente, o retorno do banco de horas individual, a não aplicação de convenções coletivas a terceirizados (contratação de trabalho externo) e a possibilidade de os empregados terem a categoria profissional alterada perdendo remuneração. A exemplo do que Mário Mourão afirmou a jornalistas ao final da reunião após a ministra dizer que pretende apresentar uma proposta de lei no parlamento, a UGT termina o documento dizendo esperar que as negociações dos últimos nove meses não sejam “um trabalho desperdiçado”. Leia Também: “A UGT não queria esse acordo. Se teve coreografia foi deles”

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