Profissionais de Saúde Mantêm Greve e Culpam Governo “Pela

Profissionais de Saúde Mantêm Greve e Culpam Governo “Pela

a d v e r t i s e m e n tA Associação de Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique (APSUSM), em greve desde Janeiro, anunciou nesta segunda-feira, 18 de Maio, a continuação da paralisação e exigiu a demissão do actual ministro da Saúde, Ussene Isse, tendo ainda responsabilizado o Governo pela má gestão hospitalar e falta de medicamentos.

Citado pela Lusa, o presidente da APSUSM, Anselmo Muchave, declarou que perante a situação actual, e sem desenvolvimentos das negociações com o Governo, foi decidida a continuação da greve nacional da saúde, até que haja assinatura de um acordo vinculativo com prazo, orçamento e mecanismo de monitorizações independentes.

Segundo Muchave, a paralisação mantém-se devido à persistente escassez de medicamentos, luvas, soros, anestésicos e outros materiais médico-cirúrgicos considerados essenciais para o funcionamento das unidades sanitárias públicas, acusando o Executivo de conduzir um “diálogo sem resultados”, visto que as reuniões realizadas até agora decorrem sem interlocutores com capacidade de decisão e sem compromissos formalizados.

“O Governo insiste em chamar-nos para um diálogo sério, mas colocou pessoas sem mandato, sem conhecimento técnico e sem poder de decisão, pessoas que não sabem qual é a missão do Ministério da Saúde e que usam reuniões para ganhar tempo e para passear nas unidades sanitárias. Isto não é dialogar, é encenação. É ‘queimar’ tempo enquanto os doentes morrem”, afirmou.

O responsável denunciou ainda alegadas irregularidades nos armazéns centrais de medicamentos, apontando problemas de conservação, infiltrações e presença de roedores e aves em espaços destinados ao armazenamento de fármacos. “Encontrámos armazéns com infiltrações, falta de controlo de pragas e higiene. Pombos e roedores circulam nos armazéns, o que significa, na prática, medicamentos contaminados que depois vão para a boca de um paciente doente”, acrescentou.

De acordo com Anselmo Muchave, a associação vai avançar com uma mobilização nacional dos profissionais de saúde e da sociedade civil para exigir “a demissão imediata” do ministro da Saúde, Ussene Isse, acusando o Executivo de incapacidade para responder à crise no sector.

A APSUSM anunciou também a submissão de denúncias formais ao Provedor de Justiça, ao Parlamento e a parceiros internacionais, alegando violações do direito à saúde, má gestão de fundos públicos e condições inseguras nos armazéns centrais de medicamentos.

“O Governo moçambicano que tenha vergonha. Não se mata um país por incompetências. As coisas que estão a matar o povo são visíveis e resolvíveis sem barulho”, declarou o dirigente associativo, alegando que desde Janeiro deste ano houve 2673 mortes evitáveis por doenças.

A 30 de Março, a APSUSM já havia acusado o Executivo de incumprimento de acordos anteriores, alertando para uma situação considerada “catastrófica” no Serviço Nacional de Saúde, incluindo o registo de 1872 mortes associadas à falta de medicamentos e equipamentos.

O País dispõe de 1778 unidades de saúde no total, 107 das quais são postos de saúde, três são hospitais especializados, quatro hospitais centrais, sete são gerais, sete provinciais, 22 rurais e 47 distritais, segundo os dados mais recentes do Ministério da Saúde.a d v e r t i s e m e n t

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