Fundo Soberano Regista Lucro no Primeiro Trimestre • Diário
O Fundo Soberano de Moçambique (FSM) registou lucros de um milhão de dólares no primeiro trimestre de 2026, impulsionados pelos juros das aplicações financeiras realizadas em bancos internacionais, segundo o relatório trimestral divulgado esta segunda-feira (18) pelo Banco de Moçambique (BdM).
De acordo com o documento, os ganhos obtidos entre Janeiro e Março resultam da aplicação dos recursos do fundo em depósitos de curto prazo junto de três instituições financeiras localizadas no Canadá, em França e no Japão. No mesmo período, os activos totais do FSM cresceram 6,6%, atingindo 117,4 milhões de dólares, resultado da entrada de receitas provenientes da exploração de Gás Natural Liquefeito (GNL) e dos rendimentos financeiros gerados pelas aplicações efectuadas.
O Banco de Moçambique, responsável pela gestão operacional do fundo desde Dezembro passado, explica que o FSM continua numa fase transitória, aguardando a aprovação do Plano Director submetido ao Ministério das Finanças. Este instrumento deverá definir a estratégia de afectação de activos, a composição das carteiras de investimento e os limites de risco a observar.
Enquanto o plano não é aprovado, os recursos permanecem aplicados de forma conservadora em depósitos bancários internacionais, privilegiando a liquidez, a preservação do capital e a rentabilidade. Ainda assim, o banco central admite que, com a futura diversificação dos investimentos, o desempenho do fundo poderá passar a reflectir as oscilações naturais dos mercados financeiros internacionais.
Criado em Dezembro de 2023 pela Assembleia da República, o Fundo Soberano de Moçambique é alimentado por 40% das receitas anuais da exploração de gás natural. As projecções oficiais indicam que, na década de 2040, as receitas do sector poderão alcançar cerca de 6 mil milhões de dólares por ano.
Segundo o BdM, a criação do FSM visa assegurar que as receitas geradas pela exploração de petróleo e gás contribuam para o desenvolvimento económico e social do País, garantindo igualmente a acumulação de poupanças para as gerações futuras e a estabilização do Orçamento do Estado em períodos de volatilidade das receitas energéticas.
Moçambique possui actualmente três megaprojectos aprovados para a exploração de gás natural na bacia do Rovuma, ao largo da costa de Cabo Delgado. Entre estes, destaca-se o projecto liderado pela TotalEnergies, com capacidade de 13 milhões de toneladas anuais, actualmente em fase de retoma após a suspensão provocada pelos ataques extremistas na região. A ExxonMobil aguarda ainda a decisão final de investimento para o seu projecto de 18 milhões de toneladas anuais, igualmente localizado na península de Afungi.
Em águas ultraprofundas da Área 4 da bacia do Rovuma, o consórcio liderado pela italiana Eni opera desde 2022 a plataforma flutuante Coral Sul, preparando actualmente o avanço da unidade Coral Norte, cuja produção deverá arrancar em 2028.



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