Ruanda Mantém Tropas Após Garantia Financeira do Governo

Governo Ruandês Confirma Que Precisa de Financiamento Para

advertisemen tO Governo de Ruanda anunciou nesta terça-feira, 19 de maio, que manterá suas tropas na província de Cabo Delgado, região Norte de Moçambique, onde estão auxiliando no combate ao terrorismo, criticando o fato de os dois pedidos de apoio financeiro endereçados à União Europeia (UE) terem sido recebidos com “relutância”. Em mensagem divulgada na rede social X e citada pela Lusa, o ministro ruandês dos Negócios Estrangeiros, Olivier Nduhungirehe, afirmou que Ruanda decidiu negociar exclusivamente com o Governo de Moçambique, que, por sua vez, garantiu que continuará a fornecer o financiamento necessário para as atividades das Forças de Segurança Ruandesas. “A colaboração entre os dois governos tem sido bem-sucedida e continuará nessa linha, visto que o trabalho das Forças de Segurança de Ruanda em Cabo Delgado é reconhecido por Moçambique. Durante anos, beneficiamos da assistência do Mecanismo Europeu para a Paz, com um montante que representa uma pequena fração das despesas reais de Ruanda em Moçambique e dos investimentos da UE em Cabo Delgado”, apontou o diplomata. Olivier Nduhungirehe também avançou: “Lamentavelmente, notamos que os dois pedidos do Governo de Ruanda a Bruxelas foram recebidos com relutância e politizados por alguns Estados-membros da UE, transformando um apoio crucial ao povo moçambicano em uma crítica irracional a Ruanda, ‘lançada aos leões’ pelos próprios países que se beneficiam economicamente de nossa intervenção em Cabo Delgado”, descreveu. Nduhungirehe lembrou que em 2021 as Forças de Segurança Ruandesas intervieram naquela província a convite do Governo de Moçambique e que a missão foi bem-sucedida. “A paz e a estabilidade foram restauradas, as famílias voltaram para casa, as crianças voltaram à escola, as empresas reabriram, as forças moçambicanas foram e continuam a ser treinadas e as entidades europeias/americanas puderam retomar com segurança seus investimentos de 50 bilhões de dólares em GNL”, ressaltou. Esses eventos acontecem em um momento em que se aproxima o fim do apoio financeiro da União Europeia (UE) à operação, previsto para este mês de maio, após 36 meses de financiamento, num total de 40 milhões de euros. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos da América (EUA), que financiam o megaprojeto de Gás Natural Liquefeito (GNL), liderado pela francesa TotalEnergies em Cabo Delgado, aplicaram sanções às Forças de Defesa de Ruanda (RDF) devido ao conflito na República Democrática do Congo. Ministro ruandês dos Negócios Estrangeiros, Olivier Nduhungirehe Recentemente, a Comissão Europeia para os Negócios Estrangeiros afirmou estar em “diálogo contínuo” com o Governo de Moçambique para definir eventuais apoios em termos de medidas de segurança em Cabo Delgado, esclarecendo que decisões sobre o destacamento ruandês devem ser tomadas entre os dois países africanos. Citado pela Lusa, o responsável ressaltou que a UE reconhece a contribuição muito importante de Ruanda para os esforços de controle do terrorismo na região, ressaltando que as autoridades moçambicanas também têm valorizado a presença das forças ruandesas. O apoio da UE consiste em 20 milhões de euros previstos desde novembro de 2024, que se somam a um apoio idêntico de 20 milhões concedido em 2022, totalizando 36 meses de assistência. Esse financiamento foi destinado, entre outros, à aquisição de equipamentos pessoais e transporte aéreo estratégico. A verba adicional complementou a medida de assistência paralela, no valor de 89 milhões de euros, às Forças Armadas moçambicanas anteriormente formadas pela Missão de Formação da UE em Moçambique. Desde outubro de 2017, Cabo Delgado, província rica em recursos naturais, nomeadamente gás, tem sido palco de uma insurgência armada que já causou milhares de mortos e levou a uma crise humanitária com mais de um milhão de deslocados internos. Em abril de 2025, os ataques se espalharam pela vizinha província de Niassa. Um dos episódios mais graves ocorreu na Reserva Niassa e no Centro Ambiental Mariri, no distrito de Mecula, onde grupos armados não estatais atacaram instalações, roubaram propriedades, destruíram acampamentos e uma aeronave do parque. Esses atos resultaram na morte de pelo menos duas pessoas e levaram ao deslocamento de mais de dois mil indivíduos, dos quais 55% crianças.advertisement

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