E-Redes prevê enterrar linhas para reforçar rede que ficou

E-Redes prevê enterrar linhas para reforçar rede que ficou

“Priorizamos muito a rapidez, o que quer dizer que parte das soluções que nós implementamos são soluções não definitivas”, afirmou José Ferrari Careto, presidente executivo da E-Redes, numa audiência na Comissão de Ambiente e Energia, requerida pela Iniciativa Liberal, sobre a reposição de energia elétrica após a tempestade Kristin. Segundo o responsável da empresa que opera a rede de distribuição de eletricidade em Portugal continental, “a rede ficou mais frágil do que estava”, após soluções provisórias adotadas para acelerar a reposição do fornecimento. “Estamos agora apostados nessa consolidação, ou seja, repor como estava” e, aproveitando esse trajeto, “aumentar a resiliência através de alguns enterramentos, nomeadamente em relação a ter mais postes em alguns casos, reforçar a robustez dos cabos que estamos a instalar ou reforçar o telecomando”, acrescentou. A empresa tem soluções definitivas em andamento para aumentar a resiliência, incluindo o enterramento da linha de média tensão Marinha Grande-Vieira II, o enterramento da linha de alta tensão Ranha-Ortigosa-Pinheiros, em Leiria, e a mudança do percurso de uma linha de média tensão em uma área florestal da Sertã. Na apresentação inicial, o funcionário detalhou que a tempestade Kristin deixou um milhão de clientes sem energia elétrica no pico, em 28 de janeiro, com 60% sendo reabastecidos nas primeiras 24 horas. José Ferrari Careto afirmou que, “neste momento”, a empresa está “100% dedicada” à consolidação das áreas afetadas pelo trem de tempestades que assolou o país no início do ano, admitindo que a principal preocupação atual é a “disponibilidade de mão de obra para poder fazer essa recuperação em tempo”. O presidente da E-Redes disse ainda que, “à data de hoje”, não há clientes sem fornecimento de eletricidade na sequência dessas intempéries. Ferrari Careto argumentou que o impacto da tempestade deve ser lido à luz do equilíbrio entre custo e risco na construção da rede elétrica ao longo de décadas. “Sabemos que nesse equilíbrio entre risco e custo houve um conjunto de decisões que foram sendo tomadas ao longo de muitos anos (…) em que se privilegiou, em alguns casos, o custo, ou melhor, a ausência dele, ou, em outros casos, o risco, ou a resistência, ou a robustez da rede que havia a ser instalada”, afirmou. O responsável ressaltou que “não há infraestrutura que esteja preparada ou algum dia esteja preparada para qualquer evento”, mas admitiu que a E-Redes tem que tirar lições de Kristin. A apresentação da empresa aponta mais de 6 mil quilômetros de rede afetada, mais de 5,3 mil postes ou apoios, 8,7 mil postos de transformação de distribuição, 47 subestações com danos e 24 subestações sem alimentação. Sobre o uso de geradores durante a tempestade descrita como um evento de “tamanho sem precedentes”, Ferrari Careto disse que a falta desses equipamentos nunca foi um gargalo na restauração do serviço. “Em nenhum momento, o número de geradores disponíveis foi um gargalo na reposição do serviço”, disse, explicando que a empresa teve 500 geradores disponíveis no pico da crise e 470 instalados. O responsável indicou que os geradores foram colocados principalmente em estações de transformação, sempre que a rede de baixa tensão a jusante estivesse em condições de distribuir energia aos clientes finais. “Não colocamos geradores em entidades privadas e não o fizemos porque entendemos que deveríamos priorizar a restauração do serviço para o maior número possível de pessoas”, disse. Ferrari Careto acrescentou que foram priorizados “hospitais” e “entidades públicas” e que, no caso das entidades privadas, a empresa entendeu que elas deveriam ter preparo próprio para situações dessa natureza. A E-Redes disse ter mobilizado mais de 2.700 operadores, cerca de 300 vindos de fora, incluindo parceiros internacionais, mais de 1.250 veículos e mais de 500 geradores e cinco centrais móveis. O presidente da empresa também rejeitou críticas sobre falta deliberada de informações, afirmando que a empresa procurou não criar expectativas que não pudesse cumprir. “Tivemos uma preocupação muito grande de sempre falar a verdade e de compartilhar todas as informações que tínhamos com todo mundo”, disse. Leia Também: Apagão? Aneel classifica incidente como evento excepcional sem compensações

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