Com defeito e falsas: Burla em peças para aviões custa 6,5

A TAP foi lesada em cerca de 6,5 milhões de euros por causa de uma burla nas peças para aviões. Em causa está uma rede composta por três portugueses e um cidadão argentino, que terá causado prejuízos de 45 milhões de euros a várias companhias aéreas. “De acordo com a acusação, ficou indiciado que os três acusados, juntamente com um cidadão de origem venezuelana e naturalizado no Reino Unido, no período compreendido entre 2015 e 2023, integraram uma organização criminosa que se dedicou à apropriação ilícita, nos estoques de companhias aéreas, entre as quais a TAP AIR PORTUGAL, SA e a HI FLY, de peças e componentes aeronáuticos, tendo em vista possibilitar a respectiva venda subsequente, sustentada em documentação de aeronavegabilidade falsificada, a companhias certificadas para a manutenção, reparação e operações com aeronaves, destacando-se, entre outras, a TAP MAINTENANCE & ENGINEERING, subsidiária da TAP”, pode ler-se na acusação do Ministério Público. O impacto financeiro, cabe destacar, foi adiantado pelo jornal Correio da Manhã, que revela também que, como as peças eram falsas, com defeitos e certificados falsificados, a companhia aérea de bandeira portuguesa e as outras envolvidas, como a American Airlines e a Aero Norway, foram obrigadas a suspender as respectivas operações para verificar todos os componentes. O Notícias ao Minuto tenta contato com fonte oficial da TAP para confirmar o prejuízo que a companhia aérea portuguesa teve com essa fraude. O que se sabe sobre o caso Três pessoas foram acusadas pelo Ministério Público de atentado contra a segurança no ar e outros crimes pela suposta venda de peças para motores sem requisitos para companhias aéreas, entre elas a TAP. Os acusados, em prisão preventiva há cerca de um ano na sequência da operação “Voo Cego” da Polícia Judiciária (PJ), são um empresário e dois funcionários da área de manutenção aeronáutica, um deles da TAP Maintenance & Engineering (TAP M&E), subsidiária da TAP. O plano teria sido gizado pelo cidadão britânico e as peças vendidas por meio de uma empresa constituída no Reino Unido, a AOG Technics. O homem foi preso no Reino Unido em 2023 após uma denúncia da TAP M&E de que os componentes adquiridos da AOG Technics “não atendiam aos requisitos de aeronavegabilidade exigidos pelos fabricantes originais dos motores CFM56”, e o esquema continuou através de outra empresa então constituída por um dos acusados agora acusados. Um “elevado número” das peças comercializadas “apresentava riscos qualificados como altos ou médios na utilização em motores em operação, acarretando perigo para a vida ou para a integridade física de passageiros e tripulantes de aeronaves em cujos motores tais peças pudessem operar, assim como para as próprias aeronaves”, concluiu uma perícia da Força Aérea Portuguesa. Dois dos acusados são ainda suspeitos de “terem ocultado da administração tributária os rendimentos obtidos nos anos fiscais de 2019 e 2020 com a prática dos fatos”, diz o DCIAP. Na acusação, o Ministério Público pede ainda que os três acusados sejam condenados a pagar ao Estado, “a título de valor de vantagens ilícitas”, cerca de 1,1 milhão de euros e quase 13 mil dólares. No total, os suspeitos foram acusados em 22 de maio passado dos crimes de associação criminosa, atentado contra a segurança de transporte por ar, corrupção passiva agravada, corrupção passiva no comércio privado agravada, peculato, estelionato qualificado, falsificação de documento, furto qualificado, acesso ilegítimo, dano informático e fraude fiscal qualificada. A investigação começou em fevereiro de 2024 e ocorreu, a partir de novembro seguinte, em “contexto de Equipe de Investigação Conjunta com o Serious Fraud Office do Reino Unido”, dedicado, como o DCIAP, ao combate ao crime financeiro de especial complexidade. Em maio de 2025, a TAP confirmou à Lusa a realização de buscas em suas instalações “relacionadas a um caso judicial” em que a companhia aérea “é denunciante”, escusando-se, à época, a fazer qualquer comentário. Leia Também: Mais de 40% dos profissionais identificam IA como prioridade



Publicar comentário