Moedas digitais centralizadas apresentam “maior segurança”

Em Macau para participar de um seminário de sobre moedas digitais centralizadas organizado pela Autoridade Monetária de Macau (AMCM), o administrador do Banco de Portugal Luís Morais Sarmento destacou que o projeto do Euro digital encontra-se numa “fase avançada de prontidão técnica” e que o objetivo é assegurar que o seja “tão seguro como o numerário, mas adaptado à era digital”. O evento organizado pela autoridade monetária do território teve como objetivo “aprofundar a cooperação financeira e explorar aplicações de moeda digital” entre a China e os mercados lusófonos. Emitido pelo Banco Central Europeu (BCE) e pelos bancos centrais nacionais, o Euro digital deve funcionar como um equivalente eletrônico ao dinheiro em espécie, garantindo, mas permitindo pagamentos rápidos em toda a Zona do Euro. Com vistas a uma possível emissão em 2029, o BCE está atualmente na fase de prontidão técnica e avaliando inscrições de mais de 50 prestadores de serviços de pagamento para a realização de um projeto piloto. Sarmento ressaltou que os sistemas de pagamento são “um elemento essencial para a confiança econômica” e que a inovação, incluindo moedas digitais, tem “relevância estratégica” para cada país. O diretor acrescentou que o Euro digital poderá, no futuro, suportar múltiplas moedas em uma mesma infraestrutura, abrindo caminho para maior integração financeira entre diferentes geografias, incluindo países de língua portuguesa. “Nenhum banco central conseguirá enfrentar o futuro sozinho. A cooperação internacional é essencial”, disse, apontando a criação da rede de bancos centrais lusófonos como exemplo de compartilhamento de conhecimento. No mesmo evento em Macau, estiveram presentes representantes do Banco Popular da China, o banco central do país, e que já avançou com testes para o uso de yuan digital, a primeira moeda centralizada emitida em todo o mundo. Sarmento apontou que o Banco de Portugal tem dialogado com o banco central chinês e as autoridades monetárias de Macau sobre os respectivos projetos de moedas digitais, mas apenas como diálogos institucionais comuns ou “eventos informais” como o realizado hoje com diferentes entidades bancárias lusófonas. O representante do banco central português disse à Lusa que “cada banco central fará seu caminho” no desenvolvimento das moedas digitais, lembrando que Portugal integra a estratégia conjunta da zona do euro. Enquanto isso, Cassio von Gal, presidente da Associação Brasileira de Bancos (ABBC), destacou à Lusa que o Brasil está testando o projeto Drex, lançado pelo Banco Central em 2023, e que reúne instituições financeiras e reguladores em um ambiente colaborativo. “Moedas digitais centralizadas reduzirão camadas na liquidação de transações transfronteiriças, trazendo menor custo e maior segurança”, disse. Von Gal explicou que o consórcio liderado pela ABBC desenvolveu instrumentos financeiros tokenizados, incluindo crédito bancário digital, que demonstraram ganhos de eficiência e redução de custos. “O piloto mostrou como instrumentos programáveis podem reduzir atritos em processos-chave como emissão, liquidação e gestão de colaterais”, disse, ressaltando que essas inovações são particularmente relevantes para o comércio internacional. A ABBC, que reúne mais de cem instituições financeiras, liderou um consórcio dentro do piloto, representando 16 bancos de pequeno e médio porte, focado no desenvolvimento de ativos financeiros tokenizados. Esses ativos são versões digitais de títulos tradicionais, como ações, títulos públicos e fundos, registrados na rede criptografada ‘blockchain’. Segundo Gal, um instrumento de crédito bancário tokenizado apresentou “maior eficiência, custos operacionais reduzidos e mercados secundários mais líquidos e acessíveis”. No entanto, o representante bancário brasileiro comentou à Lusa que persistem desafios nessa área, como interoperabilidade, governança de dados e cibersegurança, defendendo também que moedas centralizadas e ativos tokenizados devem ser vistos “como ferramentas para melhorar sistemas financeiros” e “não como fins em si mesmos”. Leia Também: Você é proprietário? Não se esqueça, acaba hoje o prazo para pagar o IPTU



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