Um quinto das famílias com crianças vive em casas com pouco

Um quinto das famílias com crianças vive em casas com pouco

Um quinto das famílias com crianças (20,8%) vivia em situação de insuficiência do espaço habitacional e uma em cada dez vivia mesmo em condições severas de privação habitacional no ano passado, revelam dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), divulgados nesta segunda-feira, a propósito do Dia Mundial da Criança. “Em 2025, 20,8% da população em famílias com crianças viviam numa situação de insuficiência do espaço habitacional (5,7% nas famílias sem crianças) e 10,2% viviam em condições severas de privação habitacional (2,5% nas famílias sem crianças)”, pode ler-se no relatório do INE. Os dados mostram ainda que a taxa de risco de pobreza de crianças de até 17 anos permaneceu maior do que a observada para a população em geral, tendo atingido, em 2024, 17,6%. “Neste ano, o risco de pobreza afetava mais de um terço da população que vivia em domicílios monoparentais e 26,7% no caso de famílias numerosas”, dizia o relatório. Férias e atividades extracurriculares são afetadas Segundo o INE, ainda em 2024, “um quinto das crianças viviam em famílias sem capacidade de pagar pelo menos uma semana de férias por ano fora de casa e um décimo das crianças não tinha possibilidade de participar regularmente de uma atividade extracurricular ou de lazer”. “O número de beneficiários, descendentes ou equiparados, do abono de família para crianças e jovens por 100 indivíduos com menos de 25 anos era, em 2024, tendencialmente maior nos municípios do interior continental”, explica ainda o INE. Os critérios “rígidos” do abono de família para crianças e jovens estão empurrando várias famílias monoparentais para um “limbo”. Mães solteiras relatam a perda de apoio por terem feito “horas extras” ou terem pedido ajuda aos pais. Mas eles ainda precisam da ajuda. Natacha Nunes Costa | 08:33 – 23/04/2026 Os dados mostram também que, “entre 1990 e 2024, a proporção de crianças na população total passou de 25,2% para 15,5%”, sendo que, “no mesmo período, o número de nascidos vivos por mil mulheres em idade fértil passou de 46,5 para 37,9 e a idade média das mulheres ao nascimento do primeiro filho passou de 24,9 para 30,3 anos”. “Em 2024, 95,7% das crianças de 6 anos cumpriram o calendário vacinal para sarampo, caxumba e rubéola. No mesmo ano, 3,6% das crianças não puderam atender a uma necessidade de consulta ou tratamento odontológico e 4,5% tinham alguma limitação na realização de atividades consideradas habituais para a idade devido a problemas de saúde prolongados”, pode ler-se. Mais: “Em 2025, a proporção de crianças que recebiam cuidados formais de acompanhamento era de 57,6% em crianças de até 3 anos e 43,8% em crianças de 4 anos ou mais”. O INE revela ainda que o “número de alunos matriculados no ensino não superior no ano letivo 2023/2024 diminuiu 19,5% em relação a 1990/1991, tendo a taxa bruta de pré-escolarização passado de 50,7% para 100,6%. Em 2022, 76,8% dos alunos com 15 anos tinham um nível mínimo de proficiência em leitura e 70,2% em matemática, refletindo, em ambos os casos, uma redução em relação a 2012”. Leia Também: Dia das Crianças: Quantas envolvidas em acidentes e afogamentos? O alerta

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