“A casa que está feita é a casa mais rápida para se entregar

Preços das casas não dão tréguas: Dispararam 17,7% no 3.º

“A casa que está feita é a casa mais rápida para se entregar à família”, disse Patrícia Gonçalves Costa, na sessão de abertura da XIII Semana da Reabilitação Urbana, organizada pela Confederação Portuguesa da Construção e do Imobiliário, na Lisboa Social Mitra. Diante da “urgência social de dar respostas no menor espaço de tempo”, a governante reconheceu que “é preciso reverter” o panorama de casas devolutas existente em Portugal, sublinhando que a reabilitação é também garante de sustentabilidade e proteção ambiental. Ao mesmo tempo, Patrícia Gonçalves Costa apontou que “integrar a resiliência estrutural na reabilitação não pode ser um luxo, é uma questão de segurança”, mencionando, especificamente, a proteção antissísmica do edifício. Diante da “crise muito grande” que se vive na habitação, a secretária de Estado defendeu que é preciso planejar. “Historicamente, Portugal acaba por falhar no planeamento. Não podemos incorrer de novo nesse erro”, vincou, acrescentando que o Governo continua “a trabalhar afincadamente” para cumprir as metas do Plano de Recuperação e Resiliência (fundos europeus), findo o qual será “preciso continuar a construir”, assegurando programas nacionais para o efeito. “O aumento da oferta se faz pela construção, mas também se faz pela reabilitação”, concordou o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, lembrando que a capital tinha duas mil casas vazias que já foram recuperadas, às vezes “com 30, 40 mil euros”. Na mesma sessão de abertura, Carlos Moedas destacou o programa “De volta ao bairro”, que identificou cerca de 700 casas que pretende fazer os jovens voltarem aos bairros históricos, como Alfama ou Mouraria, onde nasceram e viveram. “Até o final de 2026 vamos entregar 100 casas”, disse, defendendo que “a cidade tem que manter sua alma”. Antes do início da conferência, na porta da Lisboa Social Mitra, quatro ativistas pelo direito à moradia ofereceram champanhe à secretária de Estado e ao presidente da Câmara de Lisboa, para “brindar aos benefícios fiscais”. Patrícia Gonçalves Costa agradeceu, mas declinou, Carlos Moedas manteve o sorriso no rosto e não interagiu. “Vimos hoje aqui oferecer um champanhe, mas um champanhe ruim, barato, aos senhores que são promotores imobiliários, (de) escritórios de advocacia, assim como membros do Governo, para que celebrem, porque eles têm muito o que comemorar, já que estão promovendo os interesses uns dos outros”, ironizou Rita Silva. Em declarações à Lusa, a economista social e membro do movimento Vida Justa apontou “os milhões e milhões dos cofres públicos em incentivos fiscais para promover rendas que são completamente impagáveis”. O pacote fiscal aprovado é “um subsídio público” para quem vive às custas de “aluguéis abusivos e casas de luxo”, denunciou, apontando o dedo para o governo por defender “os interesses dos proprietários”. Simultaneamente, “não vai resolver nenhuma crise habitacional, não vai aumentar a oferta de casas a preços que (todos) possamos pagar”, acrescentou. A ação também teve o objetivo de chamar a atenção para a manifestação do Casa para Viver, que reúne dezenas de associações e coletivos pelo direito à moradia, marcada para o dia 21 deste mês. “Este Governo não só está a fazer-nos andar para trás, como está a aprovar medidas que são completamente inaceitáveis ​​(…), dar dos cofres públicos cerca de 400 a 500 milhões de euros para o negócio imobiliário”, criticou Rita Silva, pedindo a aplicação direta desse dinheiro na “promoção de habitação pública, que (…), apesar dos anúncios do primeiro-ministro, não sai do papel”. Leia Também: Relatora da ONU pede leis mais fortes contra tortura

Publicar comentário