Adesão a serviço de abastecimento de água atinge pela

O balanço é da Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR), com base no Relatório Anual dos Serviços de Águas e Resíduos (RASARP 2025), com dados de 2024 e que foi divulgado hoje. O relatório mostra a situação do setor de águas e resíduos em 31 de dezembro de 2024 e faz uma análise exaustiva de questões como qualidade do serviço de abastecimento de água, a taxa de reciclagem, ou os resíduos urbanos. Vera Eiró, presidente do Conselho de Administração da ERSAR, em um balanço sobre o RASARP 2025, disse aos jornalistas que o aspecto mais positivo do relatório é olhar para os indicadores “e ver que há um indicador chave que é o da qualidade da água para consumo humano, que tem se mantido em 99%”. Trata-se, disse, de um “indicador de qualidade de serviço claríssimo”. Quanto aos aspectos mais negativos, Vera Eiró apontou o indicador de água não faturada e de perdas, “que poderia melhorar substancialmente”, bem como o indicador de conhecimento das infraestruturas, que é “a porta da boa gestão” e a partir da qual outros indicadores irão melhorar. Vera Eiró insistiu, no entanto, na importância dos indicadores da “confiança na torneira” e de adesão ao serviço. Segundo o RASARP, 97% dos portugueses tinham no final de 2024 acessibilidade física ao abastecimento de água no continente e 90% haviam aderido ao serviço. Muitos habitantes continuam preferindo consumir a água de seus poços e furos, o que pode representar um perigo por contaminação das águas no abastecimento ou nas águas residuais, alertou Susana Rodrigues, diretora do departamento de qualidade da ERSAR. Na gestão de águas residuais, 90% tinham acesso e o mesmo número havia aderido. Nos dois casos houve evolução positiva, disse. Outro dado positivo foi a evolução no conhecimento da situação de estruturas das águas residuais e do abastecimento de água, mas o mesmo já não acontece quanto ao uso eficiente da água, com uma “evolução negativa” na reabilitação de condutas e com uma rede envelhecida, especialmente no abastecimento em baixa (as ligações que levam a água às casas das pessoas). A água não faturada representa 27% do total de água que é tratada para consumo, um total de cerca de 190 milhões de metros cúbicos de água boa para consumo e que se perde, o equivalente a 8,7 piscinas olímpicas de água por hora, que foi tratada e na qual foram investidos energia, reagentes e recursos humanos, disse Susana Rodrigues. Se a essas perdas se somarem os 78 milhões de metros cúbicos de afluências indevidas (águas pluviais que vão para as redes de esgoto para serem tratadas), e se houvesse nos dois casos um uso eficiente, poderiam ser economizados 158 milhões de euros por ano, indica a ERSAR. Na área de resíduos, outro problema está relacionado ao monitoramento da condição dos coletores, com apenas 2% com mais de 10 anos tendo sido inspecionados nos últimos cinco anos (a avaliação deveria ser 50% ao ano). E a reabilitação de coletores não passa de 0,1% ao ano. Na coleta de resíduos, dados no final de 2024 indicavam que a acessibilidade física ao serviço de coleta seletiva era considerada baixa, de 61%, um aumento de 1% em relação ao ano anterior. A taxa de coleta seletiva ficou em 22% e a taxa de reciclagem melhorou um pouco, mas longe das metas do Plano Estratégico de Resíduos Urbanos (PERSU), de 55%. Sobre a regulação econômica, os responsáveis da ERSAR apontaram que o setor continua com tarifas muito baixas para os custos dos serviços, por isso não há capacidade de investimento, por exemplo, na inspeção de dutos. Em 2024, a maioria das entidades gestoras não recuperou custos, especialmente serviços municipais. A cobertura de gastos em relação aos resíduos urbanos é o maior problema. Quanto ao destino dos resíduos urbanos, em 2024 a deposição em aterros caiu 7% em relação a 2023 e a incineração aumentou cinco pontos percentuais. Aumentou também o encaminhamento para valorização orgânica e a coleta de biorresíduos (que só representa 5% do total de resíduos urbanos). Susana Rodrigues enalteceu a importância do sistema de pagamento em função do que se produz (Payt) mas disse que ele está disponível apenas em 21 das 352 entidades gestoras. E disse que continua “muito mal” a valorização das águas residuais, apesar do “enorme potencial”. Leia Também: “Depois das enchentes, atenção aos mosquitos”. Os conselhos das autoridades



Publicar comentário