AIE desce previsão da procura mundial de petróleo para 2026

No relatório mensal divulgado hoje, a IEA explica que essa queda representa 1,3 milhão de barris por dia a menos que a projeção anterior. A maior deterioração da demanda se concentrará no segundo trimestre deste ano, quando deve cair em 2,45 milhões de barris diários, precisa a agência no relatório mensal. Os países da OCDE representarão cerca de 930.000 barris diários dessa queda, enquanto as economias não pertencentes ao bloco explicam cerca de 1,5 milhão da queda no consumo. Os setores petroquímico e aeronáutico estão entre os mais atingidos, embora o encarecimento da energia, a desaceleração econômica e as medidas de economia de energia estendam o impacto ao conjunto do consumo de combustíveis, segundo a AIE. Do lado da oferta, a produção mundial voltou a recuar em abril em 1,8 milhão de barris diários, para 95,1 milhões, acumulando perda de 12,8 milhões de barris diários desde fevereiro. Especificamente, os países do Golfo afetados pelo fechamento do Estreito de Ormuz produziram 14,4 milhões de barris diários a menos do que antes da guerra, embora parte desse déficit esteja sendo compensado por um aumento na produção e nas exportações da bacia atlântica. Analistas da AIE preveem que, se o trânsito marítimo por Ormuz começar a se normalizar gradualmente a partir de junho, a oferta mundial média em 2026 será de cerca de 102,2 milhões de barris por dia, o que representaria uma redução de 3,9 milhões em relação aos níveis anteriores ao conflito. A IEA considera que a indústria de refinaria também enfrenta fortes tensões, prevendo que o processamento mundial de petróleo cairá 4,5 milhões de barris diários no segundo trimestre de 2026, para 78,7 milhões, devido a danos à infraestrutura, restrições às exportações e escassez de matérias-primas. Para o ano como um todo, o volume da refinaria deve se reduzir em 1,6 milhão de barris diários. Apesar disso, segundo o relatório, as margens da refinaria continuam em níveis historicamente altos, impulsionadas pelos altos lucros nos produtos destilados médios. E o setor busca se adaptar por meio de novas rotas comerciais destinadas a substituir as exportações de produtos refinados do Golfo. As reservas mundiais de petróleo também registraram fortes quedas, apontou a AIE. Segundo dados preliminares, os ‘estoques’ globais foram reduzidos em 129 milhões de barris em março e em outros 117 milhões em abril. As interrupções no tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz causaram uma queda de 170 milhões de barris nas reservas terrestres, enquanto o petróleo armazenado em navios aumentou em 53 milhões. A AIE acredita que a demanda poderia aumentar no final do ano se um acordo for alcançado para acabar com a guerra, permitindo a retomada gradual do fluxo através do Estreito de Ormuz a partir do terceiro trimestre de 2026, mas a oferta levará mais tempo para se recuperar. Consequentemente, o mercado de petróleo permanecerá deficitário até o último trimestre do ano, acrescenta. Nos mercados, o petróleo North Sea Dated experimentou em abril uma volatilidade sem precedentes, com oscilações próximas a US$ 50 por barril, aponta a IEA, ao constatar que a interrupção dos fluxos do Oriente Médio elevou o preço médio mensal em cerca de US$ 16,5, para US$ 120,36 por barril. Os diferenciais de tempo nos futuros de Brent e West Texas Intermediate (WTI) fecharam o mês em cerca de cinco dólares por barril, enquanto o prêmio do North Sea Dated em relação ao ICE Brent caiu da alta de US$ 35 registrada em meados de abril para apenas três dólares no início de maio, conclui a IEA. (Notícia atualizada às 12h04) Leia Também: Emirados designam pessoas e entidades ligadas a Hezbollah como terroristas



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