Angola exportou mais diamantes, mas com menos receita até

O secretário de Estado para os Recursos Minerais, Jânio Corrêa Victor, que apresentou o balanço da produção e comercialização de diamantes no primeiro semestre de 2025, referiu que o volume exportado registou um aumento de 108,9%, em relação ao primeiro semestre de 2024, mas o valor resultante reduziu 14% comparativamente ao período homólogo. A produção de janeiro a setembro representa um grau de execução de 72,3% com relação à meta de produção de 14,8 milhões de quilates, prevista para 2025. De acordo com os dados, os diamantes brutos foram comercializados ao preço médio por quilate de 96,7 dólares (83,2 euros) e tiveram como principais destinos os Emirados Árabes Unidos, Bélgica e Hong Kong, tendo estes três mercados absorvido mais de 90% das exportações. Até setembro deste ano, a produção de diamantes já tinha alcançado os 10,7 milhões de quilates, sendo que os 6,8 milhões de quilates registados até junho, correspondia a um aumento de 23,2%, comparativamente ao período homólogo de 2024. Segundo Jânio Corrêa Victor, sobre as perspetivas de comercialização para este ano, as projeções apontam para um cenário encorajador, alicerçado fundamentalmente por se prever que a produção global de diamantes brutos fique abaixo dos 100 milhões de quilates, interrompendo a tendência de crescimento observada na última década. “A este facto junta-se a manutenção de elevados ‘stocks’ de diamantes lapidados, o consumo moderado de joias com diamantes nos Estados Unidos, influenciado pela incerteza económica e pelo agravamento das tarifas de importação sobre a joalharia indiana”, referiu o governante angolano. Apesar deste “cenário internacional sombrio”, o secretário de Estado para os Recursos Minerais considerou que o segmento diamantífero nacional “continua a demonstrar solidez, fiabilidade”, constituindo um pilar essencial da economia angolana. “Com muito orgulho podemos considerar que Angola consolida-se como uma fonte atrativa de diamantes brutos de qualidade de gema, o que reforça a sua posição estratégica no mercado internacional”, acrescentou o governante angolano, sublinhando a almejada meta de Angola se tornar o maior produtor mundial de diamantes. Em declarações à imprensa, o diretor de Operações Mineiras e Gestão de Participações da Endiama, Miguel Vemba, referiu que são as produções das sociedades mineiras de Catoca, Luele, Chitotolo e do Cuango que têm alavancado as metas preconizadas para este ano. No período em análise, a Endiama registou investimentos no montante de 216,2 milhões de dólares (pouco mais de 186 milhões de euros), maioritariamente para o projeto Luele, dos quais cerca de 89% foram destinados à produção, tendo as contribuições fiscais ficado por 171,4 milhões de dólares (147,5 milhões de euros). Miguel Vemba sublinhou que atualmente 90% da produção angolana já é rastreada, por conta dos projetos mineiros de Catoca, Luele e Somiluana, perspetivando atingir os 95% de rastreabilidade até 2026, para se obter “o diamante autêntico angolano”. Leia Também: Projeções dão vitória ao partido centrista D66 nos Países Baixos



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