Banca moçambicana corta taxa de juro para 15,60% em março

Despesa do Estado moçambicano deve aumentar 4,5% em 2026

Desde janeiro de 2024, a taxa, conhecida como ‘prime rate’, tem caído progressivamente, após seis meses consecutivos em máximas de 24,1%. Em janeiro, a AMB decidiu cortar igualmente 10 pontos-base à taxa, para 15,70% e em fevereiro a manteve inalterada, apesar do corte na Selic decidida pelo banco central. As oscilações da ‘prime rate’ estão associadas à taxa de juro de política monetária (taxa MIMO, que influencia a fórmula de calculo da ‘prime rate’) pelo banco central, para controlar a inflação. Na reunião de 28 de janeiro, o Comitê de Política Monetária (CPMO) do Banco de Moçambique decidiu cortar, pela 12ª vez consecutiva, a taxa de juros de política monetária MIMO, em 0,25 ponto-base, para 9,25% – redução que não foi seguida imediatamente pelos bancos em fevereiro -, prevendo sua estabilização, mas alertando para o efeito das enchentes nos preços. “Esta decisão é sustentada pelas perspectivas de manutenção da inflação a um dígito no médio prazo, não obstante a materialização de alguns riscos e incertezas associados às projeções da inflação, com destaque, já podem imaginar, para a ocorrência das inundações e para a intensificação das tensões comerciais e geopolíticas. Este é o mundo que estamos a enfrentar neste momento”, anunciou o governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela, ao final da reunião. Os temores de Zandamela estão relacionados às enchentes em Moçambique desde o início de janeiro, causando acima de 720 mil pessoas afetadas e mais de 20 mortos, além de várias populações sitiadas e vias bloqueadas há semanas e prejuízos calculados provisoriamente em cerca de 600 milhões de euros. “Entretanto, em face do agravamento desses riscos e das incertezas, o CPMO considera que se aproxima o fim do ciclo de redução da taxa MIMO iniciado em janeiro de 2024”, disse ainda Zandamela, lembrando que a trajetória de queda poderia se estender, na previsão inicial, até 36 meses. “A perspectiva de inflação permanece em um dígito no médio prazo. Em dezembro de 2025, a inflação anual ficou em 3,2%, após 4,4% em novembro. Estamos com sucesso na inflação, em um nível razoável. O nível baixo da nossa inflação é algo que nos orgulha”, ressaltou. Zandamela insistiu que, “em face do agravamento dos riscos e incertezas, o CPMO considera que se aproxima o fim do ciclo de redução da taxa MIMO, iniciado em janeiro de 2024. Leia Também: Inundações aumentam 7 vezes casos de cólera na África Austral

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