Banco Mundial Classifica Dívida de Moçambique “Como
advertisemen tO Banco Mundial voltou a lançar um aviso claro sobre a trajetória da dívida pública de Moçambique, classificando-a como insustentável e em situação de incumprimento, num contexto em que as pressões fiscais continuam por resolver e os sinais de fragilidade se acumulam, tal como informou a Lusa. Segundo a mais recente Atualização Econômica de Moçambique, divulgada nesta terça-feira, a dívida pública — incluindo a garantida pelo Estado — permanece em níveis elevados, tendo atingido 91,4% do Produto Interno Bruto (PIB) no final de 2024. Ainda assim, o dado mais preocupante reside na avaliação qualitativa: tanto o Banco Mundial quanto o Fundo Monetário Internacional consideram que o país está em “distress”, ou seja, já em descumprimento efetivo de suas obrigações. O relatório indica que os atrasados no serviço da dívida representavam 1,3% do PIB até dezembro de 2025, mostrando dificuldades concretas de pagamento. Essa situação marca um agravamento em relação à análise anterior, publicada em meados de 2024, refletindo o impacto de pressões fiscais persistentes e de uma gestão que não conseguiu conter o crescimento do endividamento. Um dos pontos centrais destacados é o crescente recurso ao financiamento junto ao Banco de Moçambique. Segundo o documento, esse financiamento atingiu cerca de 6% do PIB no final de 2025, um aumento expressivo em relação aos 1,5% registrados dois anos antes. Ao mesmo tempo, o Estado não conseguiu regularizar o capital em dívida com o banco central durante 2024 e 2025, agravando os riscos para a estabilidade macroeconômica. No plano interno, a dívida vem assumindo um peso crescente e mais custoso. Embora represente cerca de 29% do total da dívida pública, foi responsável por aproximadamente 76% dos encargos com juros, principalmente devido às altas taxas e à predominância de instrumentos de curto prazo, com taxa média em torno de 12,6%. O enfraquecimento da confiança dos investidores domésticos é outro sinal de alerta. O Banco Mundial ressalta que o apetite por títulos do Tesouro diminuiu, influenciado pela percepção de risco soberano e atrasos nos pagamentos. Em 2025, a emissão desses títulos serviu essencialmente para refinanciar dívida já existente, sem aliviar a pressão estrutural sobre as finanças públicas. O relatório aponta ainda que a dívida interna constitui uma vulnerabilidade crítica, dada sua curta maturidade, concentração em poucos credores e uso para financiar despesas correntes, muitas vezes a custos superiores ao crescimento real da economia. Essa dinâmica aumenta o risco de pressão sobre o Tesouro já a partir de 2026, com necessidades de reembolso mais imediatas. Em paralelo, o Banco de Moçambique tem reiterado preocupações semelhantes. Na mais recente reunião de seu comitê de política monetária, o banco central alertou que o endividamento público interno continua se agravando, condicionando o funcionamento do mercado financeiro e contribuindo para a rigidez dos juros no sistema interbancário. A acumulação de atrasados junto a fornecedores e credores, aliada às dificuldades na emissão de nova dívida, reflete restrições de liquidez cada vez mais evidentes, num cenário em que a margem de manobra fiscal permanece limitada.advertisement



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