BCE: Convergência de inflação da Bulgária exposta a choques

A Bulgária tornou-se, em 01 de janeiro deste ano, no 21.º membro da zona euro, com a adoção da moeda única, no meio de um momento político delicado, após a demissão do executivo por protestos nas ruas contra a corrupção. “A economia búlgara demonstrou capacidade de resistência durante a pandemia e, face aos recentes aumentos dos preços da energia e às tensões geopolíticas, ainda assim, a sua natureza pequena e aberta faz com que continue exposta a choques externos”, refere o BCE no boletim económico hoje divulgado. Sobre a inflação, o banco central europeu apontou que continua vulnerável às flutuações externas devido à sua necessidade de muita energia para a produção e pelo importante peso que esta tem — a par dos alimentos — no consumo das famílias. A estes fatores juntam-se as fortes dinâmicas dos salários e de crédito, que também representam riscos adicionais para um agravar da inflação. A longo prazo, no entanto, o BCE aponta que os rendimentos e os preços relativamente baixos face aos outros países que adotaram o euro “sugerem que a convergência real e nominal deva continuar”. O BCE prevê que os custos e riscos associados à adoção da moeda única “sejam reduzidos e, em grande medida, pontuais” e reconhece que quando um país adota o euro, as populações temem aumentos injustificados dos preços na conversão para o euro. Para evitar isso, o BCE recordou que as autoridades búlgaras “implementaram diversas medidas, incluindo uma monitorização melhorada dos preços e inspeções para abordar práticas abusivas” durante um ano, até 08 de agosto. Os dados disponíveis até novembro apontam que a inflação na Bulgária foi de 3,7% em 2025, contra 2,1% na zona euro, tendo esta taxa flutuado entre -1,4% e 14,1% nos últimos 10 anos. A Bulgária reduziu a sua exposição à energia russa desde 2022, mas a sua economia continua exposta aos preços das matérias-primas. A isto, acrescenta-se o potencial efeito de uma subida no mercado já sólido dos empréstimos para a compra de habitação — com a política monetária dependente das decisões do BCE. O organismo europeu refere ainda que a Bulgária tem mantido uma trajetória fiscal sólida, mas que poderá enfrentar pressões para aumentar os seus níveis de despesa pública, depois de ter registado excedentes orçamentais em 13 dos últimos 27 anos e com uma dívida pública em 23,8% do Produto Interno Bruto (PIB). O BCE assinala que o investimento público em setores como a proteção social, a saúde e a educação também está abaixo do verificado no resto da zona do euro. Leia Também: CNE alerta candidatos para que não façam propaganda no dia das eleições



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