BCE e Governo fazem (sérios) avisos: Como a guerra vai

Já se começam a fazer estimativas ao impacto econômico do conflito no Médio Oriente e há algo que vai sendo transversal: a duração da guerra será determinante para estes cálculos. O Banco Central Europeu (BCE) já alertou que a taxa de inflação pode acelerar e o governo também avisou que o aumento do preço do petróleo “não é uma boa notícia”. O alerta (sério) do BCE O economista-chefe do Banco Central Europeu (BCE), Philip Lane, considerou que um conflito prolongado no Oriente Médio pode levar à queda persistente no fornecimento de energia e a um aumento substancial da inflação na zona do euro. Em entrevista ao Financial Times, Philip Lane lembrou que a possibilidade de uma escalada do conflito no Oriente Médio tem sido um dos principais cenários de risco contemplados pelo BC, cujas análises anteriores apontam para um “aumento substancial da inflação impulsionado pela energia” e uma forte queda na produção se um conflito provocasse uma queda persistente no fornecimento de energia. Além disso, para o economista irlandês, o impacto seria amplificado se a situação também levasse a uma reavaliação do risco nos mercados financeiros. A escalada do petróleo nos mercados internacionais pode fazer os preços dos combustíveis dispararem em até 10 centavos já na próxima semana. Isso em um momento em que o Brent já está sendo negociado a 85 dólares por barril. Beatriz Vasconcelos com Lusa | 15:45 – 03/03/2026 No caso da zona do euro, Philip Lane reconheceu que um aumento nos preços da energia exerce “pressão ascendente sobre a inflação”, especialmente no curto prazo, e um conflito dessas características seria negativo para a atividade econômica. De qualquer forma, o economista-chefe ressaltou que o impacto e as implicações para a inflação no médio prazo dependem da magnitude e da duração do conflito, então o BCE acompanhará de perto a evolução da situação. O aviso do Governo Por aqui, o ministro da Economia também já admitiu que o aumento do preço do petróleo “não é uma boa notícia” e assegurou que o executivo irá, se for necessário, tomar as medidas adequadas para que a economia funcione. “É claro que o aumento do preço do petróleo não é uma boa notícia”, disse Manuel Castro Almeida, acrescentando que “Portugal hoje já resiste muito melhor ao aumento do preço do petróleo do que no passado”. À margem de uma reunião em Faro do Conselho Regional da Comissão de Coordenação de Desenvolvimento (CCDR) do Algarve, o responsável governamental lembrou que 70% da eletricidade consumida em Portugal tem origem em fontes renováveis e, portanto, é “menos dependente do petróleo, o que é uma vantagem competitiva para Portugal”. Para Manuel Castro Almeida, o Executivo “estará sempre atento e a obrigação do Governo é estar atento para tomar, a cada momento, medidas adequadas para garantir que a economia funcione, que as pessoas tenham condições de vida e que as finanças públicas possam estar equilibradas”. Os preços do petróleo Brent têm aumentado, após o ataque dos EUA e de Israel ao Irã e suas repercussões no Oriente Médio. Na terça-feira, o barril de Brent para entrega em maio atingiu US$ 85,12, o maior valor desde julho de 2024, tendo subido cerca de 8%. Os conflitos na região do Golfo terão impacto na economia portuguesa principalmente através dos preços, e também podem pressionar as contas públicas, nomeadamente após o choque causado pelas tempestades, apontam economistas à Lusa. Lusa | 12:45 – 03/03/2026 Leia Também: Aviso vem da Espanha: Combustíveis podem encarecer até 10 centavos



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