BdM Volta a Manter Juros em 9,25% Perante “Agravamento Das
O Banco de Moçambique (BdM) decidiu manter, pela segunda reunião consecutiva, a taxa de juro de política monetária, taxa MIMO, em 9,25%, num contexto marcado pelo agravamento das incertezas externas e pelo aumento dos riscos associados à evolução da inflação. O anúncio foi feito esta segunda-feira (25) pelo governador do banco central, Rogério Zandamela, após a reunião do Comité de Política Monetária (CPMO).
A decisão sucede ao corte realizado em Janeiro deste ano, quando o banco central reduziu a taxa directora de 9,50% para 9,25%, sinalizando uma aproximação ao fim do ciclo de flexibilização monetária iniciado em Janeiro de 2024.
Em Março, o CPMO optou por interromper esse movimento e manter os juros inalterados, uma posição agora novamente confirmada. Ao justificar a decisão, Rogério Zandamela apontou para o actual ambiente internacional e para os efeitos que poderá ter sobre a economia nacional.
“O Comité de Política Monetária do Banco de Moçambique decidiu manter a taxa de juro de política monetária, taxa MIMO, em 9,25%. Esta decisão decorre da prevalência de elevadas incertezas quanto à duração do conflito no Médio Oriente e o consequente impacto sobre a cadeia logística e oferta de bens, bem como sobre os preços internacionais e domésticos dos combustíveis e alimentos”, refere o comunicado apresentado pelo governador.
Segundo o banco central, a avaliação económica aponta para um aumento dos riscos sobre as projecções de inflação, num cenário condicionado pelo comportamento dos preços energéticos, custos logísticos e interrupções no abastecimento.
As projecções de inflação foram revistas em alta. Em Abril de 2026, a inflação anual fixou-se em 4,4%, acima dos 3,4% registados em Março. Apesar de a inflação subjacente permanecer relativamente estável, o BdM admite uma aceleração dos preços no curto e médio prazo e não exclui que a inflação possa voltar a atingir dois dígitos, dependendo da duração e intensidade dos choques externos.
“O risco e as incertezas associados às projecções da inflação continuam a agravar-se”, assinalou o banco central, destacando os efeitos do conflito geopolítico no Médio Oriente sobre as cadeias logísticas, os combustíveis e os preços dos bens alimentares.
O CPMO voltou igualmente a alertar para factores internos que continuam a limitar o funcionamento da economia, com destaque para os atrasos no pagamento da dívida pública e para os efeitos das inundações registadas no primeiro trimestre do ano. O Banco de Moçambique indicou que as próximas decisões continuarão dependentes da evolução dos riscos internos e externos e do comportamento da inflação.
A próxima reunião ordinária do Comité de Política Monetária está marcada para 29 de Julho.
Texto: Felisberto Rucoa d v e r t i s e m e n t



Publicar comentário