BNP Paribas e sindicato em desacordo sobre greve de 17 abril

BNP Paribas e sindicato em desacordo sobre greve de 17 abril

Num comunicado, a estrutura sindical disse que “a administração do BNP Paribas fez ameaças verbais aos trabalhadores que aderissem à greve decretada pelo Sintaf para dia 17 de abril, dizendo que era ilegal e que ia marcar faltas injustificadas”.

“Como essa estratégia não resultou, vem agora recusar-se a reconhecer o motivo que centenas dos seus trabalhadores usaram para justificar a sua não comparência, no local de trabalho, no dia 17 de abril de 2026: o exercício do seu direito a fazer greve”, destacou a estrutura sindical.
O banco tem um entendimento diferente. “Como é do conhecimento público, a CGTP-IN promoveu uma manifestação contra o pacote laboral em 17 de abril de 2026, não tendo anunciado greve geral — mas um protesto público — para esse dia”, adiantou o BNP Paribas, em resposta à Lusa.
O banco defendeu que “nos termos do Código do Trabalho, um aviso de greve teria de ocorrer com antecedência mínima de cinco dias e devidamente acompanhado de proposta de definição de serviços necessários à segurança e manutenção de equipamento e instalações”, indicando que “este foi, aliás, o processo seguido, pelo Sintaf em novembro último, quando endereçou ao BNP Paribas, por via postal, um aviso de greve para 11 de dezembro de 2025”.
O BNP Paribas assegurou que “não recebeu qualquer aviso de greve relativo a 17 de abril, por parte do Sintaf — por correio ou através de meio alternativo”.
Já o Sintaf acusou a administração do BNP Paribas de fazer “ameaças verbais aos trabalhadores que aderissem à greve”, dizendo que era ilegal e que ia marcar faltas injustificadas.
“Alegam, em e-mails dirigidos aos trabalhadores e ao Sintaf, que o Sindicato não teria cumprido com os pressupostos legais para convocar esta greve – o que não tem qualquer respaldo na realidade. Mas não se atreveram a marcar faltas injustificadas”, lê-se no comunicado do sindicato.
Já o banco assegurou que a 16 de abril “enviou e-mail ao Sintaf, insistindo para que demonstrasse, como alegava, ter efetuado a comunicação do aviso de greve, não tendo recebido qualquer demonstração da realização dessa mesma comunicação”.
Nesse email, o BNP disse que “mesmo na falta de resposta e colaboração do sindicato, procederia ao enquadramento das ausências dos trabalhadores como faltas justificadas. Desta forma, os trabalhadores não são penalizados pela ausência”, destacou.
“O BNP Paribas continua a aguardar que o Sintaf demonstre ter enviado ou difundido o aviso de greve, nos termos legalmente aplicáveis”, disse, referindo que “as alegações infundadas do Sintaf têm um intuito difamatório e visam lesar a reputação” do banco.
O Sintaf, por sua vez, apontou a greve geral convocada para 03 de junho como “o próximo passo nesta luta” pelo acordo de empresa “justo que os trabalhadores do BNP Paribas construíram”.
“Vamos derrotar o pacote laboral, porque recusamos quaisquer recuos”, destacou.
“Recusamos os bancos de horas que o BNP e o Governo nos querem impor, recusamos normalizar o ‘outsourcing’ que nos impõe salários mais baixos e menos direitos que os restantes trabalhadores do BNP, recusamos a legalização dos despedimentos sem justa causa e as limitações ao direito a fazer greve”, segundo o Sintaf.  
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