Brasil espera que acordo UE-Mercosul melhore laços e aumente

Brasil espera que acordo UE-Mercosul melhore laços e aumente

“Eu acho que esse acordo vai aprofundar e diversificar as relações que já são excelentes, económicas e comerciais entre a União Europeia e os países do Mercosul. A minha ênfase é no Brasil e espero que estimule novos investimentos de parte a parte e a criação de novas cadeias de valor”, disse o embaixador do Brasil junto da UE, Pedro Miguel da Costa e Silva, em entrevista à agência Lusa em Bruxelas.

A poucos dias da aplicação provisória do acordo que demorou décadas a ser concluído, o responsável acrescentou esperar que o protocolo “aumente e melhore o diálogo entre as duas partes porque era o acordo que faltava para a Europa”.
“O motivo do atraso é de substantivo a político. Diferentes ciclos políticos, mudanças de momentos, falta de alinhamento de um lado ou de outro, resistências internas, pausas no processo negociador”, elencou.
Em termos de impactos para o Brasil, Pedro Miguel da Costa e Silva afirmou esperar “uma ampliação da pauta exportadora”.
“Espero que os produtos mais beneficiados sejam os produtos com valor agregado, produtos da indústria, produtos do setor agrícola, mas também transformados e, claro, espero que a gente comece a exportar mais também outros produtos agrícolas porque o Brasil já é o maior fornecedor de produtos do agronegócio para a UE”, precisou.
Questionado sobre as salvaguardas ambientais e climáticas incluídas neste acordo, o embaixador brasileiro destacou a inclusão de “um dos capítulos mais avançados de comércio e desenvolvimento sustentável que a União Europeia jamais negociou”, com “cláusulas para proteção do meio ambiente, da biodiversidade, proteção das florestas, combate ao desmatamento”, não só para a floresta Amazónia como para outros biomas do Brasil e dos países do Mercosul.
Já quanto confrontado com posições de críticos que referem que o acordo só avançou devido às tensões comerciais entre UE e Estados Unidos, Pedro Miguel da Costa e Silva concluiu: “Não gosto da sugestão de que o acordo é um acordo que é feito contra outros”.
O acordo comercial entre a UE e o Mercosul é um dos tratados de livre-comércio mais ambiciosos já negociados por ambos os blocos, que começou a ser discutido ainda na década de 1990 e só alcançou um acordo político em 2019, após cerca de 20 anos de negociações intermitentes, marcadas por divergências sobre agricultura, indústria e padrões ambientais. Só foi concluído este ano.
O tratado envolve países da UE e sul-americanos como Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, criando uma área de comércio que abrange centenas de milhões de consumidores e prevê a redução ou eliminação de tarifas de importação sobre uma ampla gama de produtos.
O acordo provisório sobre comércio será aplicado a título provisório a partir de 01 de maio de 2026 e os direitos aduaneiros sobre determinados produtos serão suprimidos logo a partir do primeiro dia, criando regras previsíveis em matéria de comércio e investimento.
Esta aplicação parcial surge antes da ratificação completa por todos os parlamentos nacionais e instituições envolvidas.
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