Governo Garante Que Missões Continuam “em Dia” Enquanto
advertisemen tO presidente da República, Daniel Chapo, assumiu nesta quarta-feira, 18 de março, que espera renovar as missões que apoiam Moçambique no combate ao terrorismo em Cabo Delgado, região Norte, ressaltando que os mandatos de assistência de Ruanda e da União Europeia (UE) ainda estão “em dia”. “Queria deixar claro que, neste momento, estamos com as missões em dia. Ainda não chegamos a maio, período em que termina o ciclo de financiamento à missão de Ruanda, assim como ainda não estamos em junho, mês previsto para o fim do mandato de assistência da UE”, disse o governante, citado em publicação da Lusa. Intervindo durante a conferência de imprensa de balanço da visita de quatro dias realizada a Bélgica, o chefe do Estado esclareceu que o conceito de missão remete a algo que “começa e termina”, destacando “que se trata de um período normal e, não tendo terminado, continuamos a trabalhar e a cumprir com os prazos até que haja definição de ambas as partes”. Nesta terça-feira (17), a Comissão Europeia para os Negócios Estrangeiros afirmou estar em “diálogo contínuo” com o Governo de Moçambique para definir eventuais apoios em termos de medidas de segurança em Cabo Delgado, esclarecendo que decisões sobre o destacamento ruandês devem ser tomadas entre os dois países africanos. “Estamos em diálogo contínuo sobre as opções para ver como a União Europeia (UE) pode apoiar Moçambique da melhor forma em termos de desenvolvimento, ação humanitária e construção da paz, bem como em medidas de segurança”, disse o porta-voz daquela entidade, Anouar El Anouni. Citado pela Lusa, o responsável ressaltou que a UE reconhece a contribuição muito importante feita por Ruanda nos esforços para controlar o terrorismo na região, ressaltando que as autoridades moçambicanas também têm valorizado a presença das forças ruandesas. No entanto, ele defendeu que cabe a Moçambique e Ruanda “identificar a forma adequada de avançar com essa ação específica”, frisando que os dois países “concluíram um acordo bilateral” quanto à mobilização das forças ruandesas no terreno. Recentemente, o ministro das Relações Exteriores de Ruanda, Olivier Nduhungirehe, alertou que o destacamento militar ruandês que combate o terrorismo em Cabo Delgado pode ser retirado do norte de Moçambique se não houver garantias de “financiamento sustentável” para a operação. “Não se trata de ‘Ruanda poder se retirar’, mas sim de ‘Ruanda retirará’ suas tropas de Moçambique, caso não seja garantido financiamento sustentável para suas operações antiterroristas em Cabo Delgado”, disse Nduhungirehe, em mensagem publicada em sua conta oficial na rede social X. Esta foi a segunda declaração oficial do Governo ruandês em menos de 24 horas sobre o assunto. A posição de Ruanda vem em um momento em que se aproxima o fim do apoio financeiro da União Europeia (UE) à operação, previsto para maio, após 36 meses de financiamento que totalizou 40 milhões de euros. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos da América (EUA), que financiam o megaprojeto de Gás Natural Liquefeito (GNL), liderado pela francesa TotalEnergies em Cabo Delgado, aplicaram sanções às Forças de Defesa de Ruanda (RDF) devido ao conflito na República Democrática do Congo. Por sua vez, o Governo moçambicano manifestou “preocupação” e “choque” com o anúncio do fim do apoio da UE, garantindo que busca alternativas e que as sanções dos EUA não afetam a operação de Ruanda em Cabo Delgado. “Antes mesmo de chegar a Maio, teremos de ter uma clara evidência sobre o que é que efectivamente deverá acontecer sobre isto. Mas também, uma vez anunciado, foi um choque”, declarou o porta-voz do executivo, Inocêncio Impissa, num briefing com jornalistas em Maputo. A UE faz um balanço positivo das medidas adotadas quanto ao conflito, lembrando que organizou uma missão de treinamento militar O apoio da UE consiste em 20 milhões de euros previstos desde novembro de 2024, que se somam a outro apoio idêntico de 20 milhões concedido em 2022, totalizando 36 meses de assistência. Esse financiamento foi destinado, entre outros, à aquisição de equipamentos pessoais e transporte aéreo estratégico. A verba adicional complementou a medida de assistência paralela, no valor de 89 milhões de euros, às Forças Armadas moçambicanas anteriormente formadas pela Missão de Formação da UE Moçambique. Desde outubro de 2017, Cabo Delgado – província rica em recursos naturais, nomeadamente gás – tem sido palco de uma insurgência armada que já causou milhares de mortos e levou a uma crise humanitária com mais de um milhão de deslocados internos. Em abril de 2025, os ataques também se espalharam pela vizinha província de Niassa. Um dos episódios mais graves ocorreu na Reserva Niassa e no Centro Ambiental Mariri, no distrito de Mecula, onde grupos armados não estatais atacaram instalações, roubaram propriedades, destruíram acampamentos e uma aeronave do parque. Esses atos resultaram na morte de pelo menos duas pessoas, e levaram ao deslocamento de mais de dois mil indivíduos, dos quais 55% crianças.advertisement



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