PR Quer Nova Estratégia de Defesa e Reforço da Vigilância

PR Quer Nova Estratégia de Defesa e Reforço da Vigilância

O Presidente da República, Daniel Chapo, defendeu a necessidade de uma reformulação contínua da estratégia nacional de defesa, sublinhando que a segurança de Moçambique depende de instituições capazes de produzir conhecimento e de formar quadros altamente qualificados para combater os vários crimes. Citado pela Agência de Informação de Moçambique, o chefe do Estado reiterou o apelo à vigilância e à prontidão das Forças de Defesa e Segurança (FDS) face ao terrorismo ainda activo na província de Cabo Delgado, região norte do País, destacando a centralidade da produção científica para a protecção do Estado. “A crescente complexidade das ameaças regionais exige análises regulares e pesquisas consistentes. As instituições de ensino e de investigação devem estar vigilantes e prontas para proceder à formulação do pensamento estratégico nacional. Há que se estabelecer uma ligação directa entre a qualidade da formação e a capacidade de resposta no terreno”, avançou Chapo. Segundo o governante, a defesa nacional é uma responsabilidade transversal que envolve todas as partes, nomeadamente civis, empresas, comunidades, sectores económicos e sociais, alertando que o País necessita de profissionais capazes de interpretar precocemente sinais de risco. Perante a situação de Cabo Delgado, Daniel Chapo rejeita qualquer discurso de vitória antecipada, apesar de reconhecer progressos: “A estabilização tem permitido avanços económicos relevantes, entre os quais o levantamento da cláusula de ‘força maior’ pela TotalEnergies.” Apelou, ainda, ao reconhecimento nacional dos combatentes “que estão nas matas de Cabo Delgado a defender o País”, enfatizando a necessidade de adaptação permanente face às mutações da insurgência. Recentemente, o ministro da Defesa, Cristovão Chume, garantiu que o combate ao terrorismo na província de Cabo Delgado está a evoluir para uma situação de segurança estável, defendendo a necessidade de “mudar a narrativa de instabilidade, para não afastar investidores.” “A situação de segurança é estável e Cabo Delgado é viável. Devemos continuar a disseminar uma narrativa positiva, que faça com que as pessoas pensem que Moçambique ainda é um sítio onde se pode investir”, explicou o governante à saída do Parlamento, após a abertura da 2.ª sessão ordinária da Assembleia da República (AR), no âmbito da décima legislatura. No seu mais recente relatório, a Organização Internacional para as Migrações (OIM) fez saber que há mais de 57 mil deslocados desde o dia 20 de Julho, após o recrudescimento de ataques de extremistas em alguns distritos. Segundo a entidade, em termos concretos, os números incluem 490 mulheres grávidas, 1077 idosos, 191 pessoas com problemas de mobilidade e 126 crianças, explicando que as pessoas “chegam a andar mais de 50 quilómetros pela mata, noite e dia, sobretudo em direcção à sede do distrito de Chiúre, no sul da província de Cabo Delgado.” Desde Outubro de 2017, Cabo Delgado – província rica em recursos naturais, nomeadamente gás – tem sido palco de uma insurgência armada que já provocou milhares de mortos e originou uma crise humanitária com mais de um milhão de deslocados internos. Em Abril, os ataques alastraram também à vizinha província do Niassa. Um dos episódios mais graves ocorreu na Reserva do Niassa e no Centro Ambiental de Mariri, no distrito de Mecula, onde grupos armados não estatais atacaram instalações, roubaram bens, destruíram acampamentos e uma aeronave do parque. Estes actos resultaram na morte de, pelo menos, duas pessoas, e levaram à deslocação de mais de dois mil indivíduos, dos quais 55% crianças.advertisement

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