Terroristas Saqueiam Colheitas e Agravam Insegurança
advertisemen tComunidades do posto administrativo de Mandela, no distrito de Muidumbe, província de Cabo Delgado, denunciaram o saque de produtos agrícolas por grupos armados associados à insurgência, em uma ação que compromete a segurança alimentar de dezenas de famílias que tentavam reconstruir seus meios de subsistência, informou a agência Lusa. Segundo o órgão, os ataques ocorreram no último domingo (31) nas áreas de produção localizadas ao longo do rio Messalo, especificamente no acampamento de Nova Família, a cerca de 60 quilômetros da sede distrital de Muidumbe. Segundo relatos de moradores, os invasores se apropriaram de milho e feijão armazenados em celeiros comunitários. “Infelizmente os terroristas passaram por nossas roças e levaram o milho e os feijões que estavam guardados. Era a produção que nos permitiria sustentar nossas famílias nos próximos meses”, disse um dos camponeses afetados. Além do saque das colheitas, os insurgentes destruíram cerca de dois hectares de plantações de tabaco em fase de crescimento, causando danos adicionais aos agricultores locais. “Eles estragaram tudo nas margens do Messalo. Depois de tudo que passamos, essa produção era nossa esperança para recomeçar”, lamentou outro morador. O medo de novos ataques levou várias famílias a abandonar as áreas de cultivo e buscar refúgio na sede distrital de Muidumbe, aumentando a pressão sobre comunidades já afetadas por anos de conflito e deslocamentos forçados. A destruição das culturas agrícolas ocorre em um momento em que muitas populações deslocadas buscavam retomar a atividade agrícola para garantir sua subsistência. No entanto, a persistência da insegurança continua a comprometer os esforços de recuperação econômica e social na região. Cabo Delgado enfrenta uma insurgência armada desde outubro de 2017, conflito que já causou mais de um milhão de deslocados e milhares de vítimas. Dados recentes da organização de monitoria de conflitos ACLED indicam que, entre 4 e 17 de maio, foram registrados dez incidentes violentos na província, dos quais nove atribuídos a grupos ligados ao autoproclamado Estado Islâmico, resultando em 26 mortes. Segundo a mesma organização, o conflito já causou cerca de 6570 mortos desde o seu início, evidenciando que, apesar dos avanços militares registados nos últimos anos, a ameaça insurgente continua a afectar a segurança, a produção agrícola e os meios de vida das comunidades do norte de Moçambique.advertisement



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