Carga movimentada por portos nacionais caiu 9,7% em 2025

“Em 2025, o desempenho do sistema portuário comercial do continente foi expressivamente influenciado pelos acontecimentos geopolíticos mundiais, fixando-se em 82 milhões de toneladas”, destacou, em comunicado, indicando que essa ‘performance’ corresponde a uma queda de 9,7% em relação a 2024, “expondo vulnerabilidades que não são apenas de demanda, mas também de capacidade de resposta do ecossistema logístico quando ocorrem choques simultâneos”. A AMT apontou uma combinação de “comércio internacional em crescimento moderado com instabilidade persistente – conflitos militares na Ucrânia e no Oriente Médio, tensões e insegurança no Mar Vermelho e mudança de alianças e redes marítimas – que se traduziu em pressão irregular sobre os fluxos, com efeitos assimétricos por tipologia de carga e por porto”. No que diz respeito aos contentores, o sistema portuário nacional movimentou 3,1 milhões de TEU (unidade equivalente do contentor de 20 pés), uma redução de 6% face a 2024. Sines destacou-se com uma queda de 16,6%, tendo movimentado 42,1 milhões de toneladas, o que, segundo a entidade, ilustra “a sua forte exposição ao tráfego de ‘transhipment’ contentorizado e de granéis líquidos energéticos” que são “segmentos particularmente sensíveis à reorganização das rotas marítimas internacionais e à volatilidade geopolítica”. Além disso, a infraestrutura foi afetada por “condicionantes operacionais devido a agitação marítima muito forte, períodos de greves e a parada programada da refinaria da Galp”, disse a AMT. Por sua vez, Leixões registrou um movimento de 14 milhões de toneladas, uma redução de 2,5%, principalmente por paralisações trabalhistas no final do ano, condicionantes associadas à entrada em produção do SIMTeM e “constrangimentos operacionais no domínio da Carga Contentorizada, para os quais estão previstas intervenções em futuro próximo para sua resolução”. Setúbal também caiu, 5,1%, para 6,2 milhões, “e sua maior sensibilidade ao ciclo industrial europeu, pode ilustrar como a instabilidade geopolítica também atua por via indireta”, encarecendo a energia, atrapalhando fornecimentos, reduzindo encomendas e afetando decisões de produção. Em sentido contrário, Lisboa, com 11,5 milhões de toneladas, cresceu 1,9%, “com reforço na carga conteinerizada e em segmentos associados ao abastecimento urbano industrial”, mesmo com greves no último trimestre, mostrando “ganhos de eficiência e produtividade, sugerindo que, quando o tráfego é essencialmente de serviço a um ‘hinterland’ robusto, a previsibilidade da demanda ajuda a amortecer choques externos”. Por fim, Aveiro, com 5,9 milhões de toneladas, cresceu 4,8%, graças a exportações e importações ligadas a cadeias industriais, como metalurgia, cimento, grãos. Quanto às perspectivas para 2026, “o cenário básico permanece de alta incerteza, com tensões geopolíticas persistentes e tendência de reconfiguração de cadeias produtivas e fragmentação do comércio, o que pode alterar a localização e intensidade de fluxos e tornar os portos mais expostos a variações abruptas, sobretudo nos segmentos intercontinentais e energéticos”. Ao mesmo tempo, “tende a ser um ano em que a resposta europeia começa a produzir sinais positivos”, nomeadamente por reduzir assimetrias de segurança e controle entre portos europeus, reforçar a resiliência e a redundância nas cadeias críticas e melhorar a capacidade de investimento e de execução em infraestruturas e procedimentos que reduzam custos. Leia Também: Reclamações sobem 9,1% em 2025 (e versão eletrônica se destaca)



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