Castro Almeida compra guerra com autarquias que “andam mais

O ministro da Economia, Manuel Castro Almeida, disse nesta quinta-feira, 12 de março, que não fez uma “má avaliação” quando disse que a reconstrução de casas nas regiões afetadas pelo mau tempo “não está indo bem” e insistiu que, “da parte do governo, o dinheiro está pronto, está disponível”. Em entrevista ao Observador, o governante reiterou as palavras que ontem geraram polêmica e levaram a uma reação quase em massa das prefeituras afetadas pelo “trem de tempestades” de fevereiro. “Repito-lhe a avaliação que fiz ontem”, insistiu o governante, defendendo que o que fez foi “um exercício de transparência de dizer às pessoas sobre o que esta a acontecer”. Ontem, Castro Almeida havia dito que a reconstrução “não está indo bem”, apontando que, do lado das prefeituras, o processo tem sido “lento” e que “o dinheiro na mão das pessoas ainda é muito pouco”. “Da parte do Governo, o dinheiro está pronto, está disponível” Ao Observador, Castro de Almeida explicou ainda que uma coisa é o valor que as câmaras municipais pedem para os danos nos equipamentos municipais, cujo “dinheiro ainda não chegou”, mas o prazo para esse efeito também “ainda não terminou”. Outra é o apoio pedido por “milhares de pessoas ao Estado para recuperar suas casas”. E, nesses casos, o ministro afiança que “o Estado garantiu esse apoio e o apoio não está chegando às mãos das pessoas”. “E é (essa gestão) que está dando errado”, esclareceu, admitindo que o processo de reconstrução das casas está atrasado porque as Prefeituras têm tido dificuldades. “Desde há vários dias, o Ministério das Finanças transferiu o dinheiro para as Comissões de Coordenação. Portanto, há dinheiro”, disparou, acrescentando que “da parte do Governo, o dinheiro está pronto, está disponível”. Já da parte das prefeituras, Castro Almeida não diz o mesmo. “Entendemos que as prefeituras têm imenso trabalho a fazer”, ressaltou. Sobre a reação das autarquias, que repudiram as declarações de ontem do governante, Castro Almeida considerou que são “totalmente compreenvíveis” e que a esta situação não coloca em causa a sua relação com os autarcas das regiões afetadas pelas tempestades. “A maioria dos municípios teve uma reação totalmente compreensível. Eu subscrevi as palavras da maioria deles. Com uma ou outra exceção”, ressaltou, acrescentando que “sempre há exceções nesse processo”. “Há autarquias menos pacientes ou que andam mais nervosas. Mas isso é normal acontecer”, notou, defendendo que se explicou “perfeitamente” e que “não há aqui nenhuma má vontade da parte das câmaras”. “Eu usei essa expressão. Não é por má vontade das prefeituras. Expliquei que elas têm imensas tarefas a cumprir. E vamos buscar com esses 700 técnicos adicionais ajudar as Prefeituras a fazer essas avaliações”, garantiu, referindo-se aos engenheiros que vão a campo para avaliar os danos causados. Já questionado sobre o custo total das tempestades para o Estado, Castro Almeida afirmou que “esse levantamento deverá ficar concluído apenas no final deste mês” e que este deverá ser superior ao “valor indicado há umas semanas, de mais de 4 mil milhões de euros”. “É um valor que já está defasado. É maior, mas não queria dar ainda um número que não seja final”, concluiu. Responsabilização das prefeituras? “Injusta e desleal” O prefeito de Leiria foi um dos que reagiu ontem às declarações do ministro da Economia. Para Gonçalo Lopes, Castro Almeida demonstrou um “profundo desconhecimento” sobre o trabalho das prefeituras na esteira do mau tempo e disse que “os problemas das pessoas não se resolvem com passa-culpas”. O presidente da Câmara de Leiria acusou hoje o ministro da Economia de “profundo desconhecimento” sobre o trabalho das autarquias na sequência do mau tempo e disse que “os problemas das pessoas não se resolvem com passa-culpas”. Lusa | 16:24 – 11/03/2026 Também a Comunidade Intermunicipal (CIM) da Região de Leiria se mostrou contra as palavras ditas pelo governante de Montenegro, enfatizando que estas são “injustas e desleais”. O mesmo pensa a CIM do Médio Tejo. Mas as reações não terminam aí. O presidente da Marinha Grande pede ao Governo postura mais construtiva e o presidente da CIM da Lezíria do Tejo defende que os atrasos nos apoios à reconstrução de habitações não se aplicam a este território, onde há uma mobilização total. Leia Também: Leiria “epicentro da tragédia”. Mau tempo fez prejuízo de “243 milhões”



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