Cerca de um terço das casas em Portugal não são residência

Nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, o valor é reduzido para 20% das casas existentes. A análise da CBRE aponta “razões históricas” para o elevado número de casas que não constituem residência primária de famílias, destacando como fator relevante “o desincentivo ao aluguel” em nível nacional. “Dado que o histórico demonstra que, quando politicamente conveniente, os governos optam por uma maior proteção aos inquilinos em detrimento dos proprietários, estes abrem mão de uma renda segura e optam por ter uma segunda residência ou imóveis desocupados para uso futuro, integrando seus patrimônios imobiliários”, diz o documento. Como resultado, “apenas cerca de 6% do estoque total está disponível para aluguel ou venda, em contraste com os 31% do estoque construído que não é usado como residência principal”. Ainda segundo o estudo Oikos – The Long Game for the Portuguese Residential Sector, a crise no acesso à moradia é “alimentada por uma rede de causas estruturais que ultrapassam o simples aumento imediato da oferta”. A consultoria aponta o crescimento da imigração e o aumento do número de famílias – apesar da redução no tamanho, já que 25% dos domicílios “agora são compostos por uma única pessoa” – como os principais fatores que criaram “um descompasso entre a oferta e a demanda de imóveis residenciais” Por isso, as casas existentes “são geralmente maiores do que as famílias precisam atualmente”. Segundo a CBRE, a acessibilidade ainda é condicionada “pelo fosso crescente entre salários e preços”. Em uma cidade como Lisboa, com avaliações bancárias de 2.523 euros por metro quadrado em 2024, eram “necessários cerca de 90 meses de salário médio para adquirir apenas 50 metros quadrados, um aumento significativo em relação aos 61 meses registrados em 2011”. Essa trajetória de preços “não foi alterada por políticas públicas de habitação opostas promovidas por diferentes governos que tentaram abordar a questão da acessibilidade habitacional”, destaca a consultoria. O impacto dos preços das casas, que aumentaram 150% na última década, é no entanto atenuado “pelo fato de a maioria da população ser dona da casa em que vive”. A escassez da oferta é outra causa da crise habitacional. Em 2024, foram apenas 27 mil novas casas construídas, volume bem abaixo das 113 mil unidades registradas em 2000. Para resolver o problema, a CBRE defende a redução do peso regulatório do Estado, maior espaço para o setor privado, mais incentivos à natalidade, o fim do congelamento dos aluguéis e “um marco regulatório e fiscal estável que devolva a confiança aos proprietários”. Ao lado dessas medidas, a consultoria insiste no combate à burocracia para acelerar a oferta, simplificando licenciamentos, estabilidade fiscal e “aumento da celeridade na solução de disputas judiciais”. Leia Também: Juros de novas operações de crédito imobiliário caem para 2,80%



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