“Choque econômico”. Falta de combustível começa a soar

A eventual falta de combustível em Portugal – em particular, para a aviação – começa a soar os alarmes: O ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, confirmou que eventuais problemas de abastecimento de querosene para os aviões terão “um impacto muito negativo na economia portuguesa”, por causa da queda no turismo, e fala mesmo num “choque económico”. O alerta do ministro das Finanças “Se isso suceder, e tendo em conta que, a suceder, poderá suceder no verão, terá um impacto muito significativo, um impacto negativo muito significativo na economia portuguesa”, admitiu o ministro, em declarações aos jornalistas na terça-feira, no final de uma reunião com os seus homólogos da União Europeia, em Bruxelas. Até porque “mais de 90%, 96% ou 97% dos turistas que chegam a Portugal, e no caso as regiões autônomas até mesmo 100%, vêm de avião, e, portanto, se não houver jet fuel (querosene, combustível usado na aviação) a nível europeu, mesmo que haja nos aeroportos portugueses, os aviões não chegarão a Portugal e, portanto, os turistas não chegarão a Portugal”, explicou o ministro. Sublinhando esperar que “esse cenário não se coloque”, o responsável pelas Finanças afirmou: “Se isso acontecer, nós teremos um choque económico muito significativo e teremos de, naturalmente, procurar responder a esse choque, porque temos uma economia onde o turismo é uma indústria muito importante, quer na receita, quer no emprego”. Maria da Graça Carvalho acredita que Portugal não enfrentará escassez de combustíveis. Contudo, revela que as reservas existentes são suficientes só até agosto. Notícias ao Minuto | 08:29 – 04/05/2026 Bruxelas também emitiu alerta (e está se preparando) O comissário europeu de Energia também afirmou na terça-feira que, por enquanto, não há problemas de fornecimento de hidrocarbonetos na UE devido ao bloqueio do estreito de Ormuz, mas acrescentou que a UE está se preparando para uma possível escassez. “Continuamos nos preparando para uma situação em que problemas de segurança de abastecimento possam surgir. Ainda não chegamos a esse ponto, mas pode acontecer, especialmente no que diz respeito ao querosene (combustível derivado do petróleo usado na aviação)” disse Jørgensen em declarações à imprensa após receber em Bruxelas o ministro da Energia da Moldávia, Dorin Junghietu. “Esperamos não chegar a esse ponto, mas estamos nos preparando (…), a esperança não é uma estratégia”, acrescentou o social-democrata dinamarquês. “Muito cedo para dizer quando voltaremos a uma situação normal” ressaltou o comissário, acrescentando que, mesmo que isso aconteça, “na melhor das hipóteses, a situação é muito grave”, porque alguns dos danos às infraestruturas energéticas no Golfo Pérsico, especialmente no Qatar, levarão anos para se recuperar. “O mundo enfrenta aquela que é provavelmente a crise energética mais grave da história, uma crise que está a por à prova a resiliência das economias, das sociedades e das nossas alianças”, afirmou Jørgensen, que elevou para 30.000 milhões de euros o montante adicional gasto na compra de combustíveis fósseis “sem receber qualquer fornecimento extra”. Além de mitigar a volatilidade no curto prazo, o comissário insistiu que, no longo prazo, a União Europeia (UE) deve acelerar os esforços para “construir uma resiliência duradoura por meio de interconexões mais sólidas, maior diversificação, a expansão das energias limpas e uma integração mais profunda do mercado”. O alto funcionário comunitário concluiu que a “lição crucial” da crise de Ormuz é que “a dependência de energia não é apenas uma questão econômica, mas também uma vulnerabilidade estratégica”. A ministra do Meio Ambiente e Energia, Graça Carvalho, reafirmou hoje que a estratégia do governo para lidar com a crise energética causada pela guerra no Oriente Médio é conceder “apoio setorial com ênfase nos mais vulneráveis”. Lusa | 16:39 – 05/05/2026 Leia Também: Onde tem combustível e botijão de gás mais baratos? ERSE diz em tempo real



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