“Comissões Das Instituições de Moeda Electrónica Cresceram

“Comissões Das Instituições de Moeda Electrónica Cresceram

As comissões cobradas pelas Instituições de Moeda Electrónica (IME), que operam no País através de plataformas móveis, cresceram 13,2% num ano, atingindo 3 mil milhões de meticais (48 milhões de dólares), segundo dados do Banco de Moçambique, passando agora a estar sujeitas a tributação. De acordo com um relatório recente do banco central, citado pela agência Lusa esta quinta-feira, 8 de Janeiro, com dados até ao final de Junho, o desempenho representa um aumento face aos 2,7 mil milhões de meticais (42 milhões de dólares) registados em Junho de 2024. “As comissões, que pela natureza das IME são determinantes para a formação dos resultados, registaram um incremento”, sublinha o Banco de Moçambique no documento.advertisement O regulador destaca igualmente o crescimento sustentado da actividade das instituições de moeda electrónica no País, referindo que as disponibilidades em instituições de crédito aumentaram cerca de 30% num ano. Os recursos dos clientes continuam a dominar a estrutura do passivo das IME, representando 88% do total. Apesar do aumento das comissões, os resultados líquidos das instituições registaram uma redução significativa. “Os resultados líquidos registaram uma redução de 24% face ao período homólogo de 2024, ao fixarem-se em 1,1 mil milhões de meticais (17 milhões de dólares), contra 1,4 mil milhões de meticais (22 milhões de dólares) alcançados no mesmo período do ano anterior”, refere o relatório. Entretanto, mais de 415 mil agentes de moeda electrónica em actividade no País passarão a pagar uma taxa de 10% sobre as comissões resultantes das transacções efectuadas, na sequência de alterações ao quadro legal tributário. Segundo a Lei n.º 12/2025, de 29 de Dezembro, que altera o Código do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Colectivas (IRPC), passam a ser tributadas à taxa de 10% “as comissões obtidas pelos agentes de moeda electrónica”, bem como os “rendimentos resultantes da transmissão de bens ou da prestação de serviços digitais”. Embora a lei já tenha sido publicada no Boletim da República, o diploma estabelece que a sua regulamentação compete ao Governo, no prazo de 180 dias. Comentando a medida, o porta-voz do Governo, Inocêncio Impissa, afirmou que a expansão das carteiras móveis tem reduzido o peso da bancarização tradicional. “A bancarização tradicional está a reduzir e a perder espaço a favor das carteiras móveis, onde ocorrem muitas transacções que não são tributadas”, explicou. Segundo o governante, o Executivo pretende assegurar que todas as actividades económicas contribuam para o erário público. “Há muitas entidades, singulares e colectivas, que exercem actividades nesses sectores sem pagar impostos. O Governo quer que todos contribuam para o crescimento da economia do País”, acrescentou. Dados do Banco de Moçambique indicam que o número de agentes de moeda electrónica atingiu 415 630 no final de Setembro, enquanto o número de contas IME ultrapassou a população adulta, correspondendo a 123,8% no terceiro trimestre de 2025. No mesmo período, as contas bancárias tradicionais representavam apenas 33% da população adulta, evidenciando a crescente predominância das plataformas de moeda electrónica no sistema financeiro nacional.advertisement

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