Compras? “Cada vez mais difícil tomar decisões totalmente

Compras? "Cada vez mais difícil tomar decisões totalmente

O excesso de opções e o conhecimento que damos às redes sociais – que as leva a saber demais sobre nós e dar essa informação às marcas – faz com que seja cada vez mais difícil para o consumidor tomar uma decisão 100% própria na hora de comprar, considera Martin Lindstrom, especialista em marketing e branding, que também é nomeado como “uma das 100 pessoas mais influentes do mundo” pela revista TIME. Em entrevista ao Notícias ao Minuto, à margem do “The Branding & Business Summit 2026”, que decorre esta quinta-feira na Sala Tejo do MEO Arena, Martin Lindstrom, que será keynote speaker do evento, partilhou que os consumidores portugueses são resilientes e vai mais longe na descrição: “ponderados, atentos ao valor, mas ainda assim emocionalmente ligados a marcas que parecem autênticas e humanas”. O especialista ressalta que o mundo nunca foi tão rápido, mas também nunca mais será tão lento como é agora e isso exige que as “empresas estejam constantemente atentas e adaptem estratégias, inovação e comunicação”. O segredo é simples: “quem se adaptar será o vencedor de amanhã”.Leia abaixo a entrevista completa. Você já ajudou diversas marcas de sucesso a trabalhar a conexão com seus clientes: Qual o segredo para fidelizar o consumidor? O segredo é entender verdadeiramente seu público. Fazer uma análise profunda de suas vidas, entender seus sonhos, esperanças e desafios do dia a dia. Quando entendemos suas vidas, conseguimos identificar o que chamamos de “out of balances” (fragilidades, na tradução em português). Todos nós temos fraquezas – posso me sentir acima do peso, sozinho ou me sentir como uma criança por dentro. São esses “out of balances” que revelam oportunidades não satisfeitas para novas marcas ou serviços. Com base no seu conhecimento dos consumidores portugueses, como você os descreveria em uma palavra? Resilientes. Não no sentido dramático – mas de forma tranquila e adaptável. Existe um padrão antigo de lidar com flutuações econômicas, equilibrar aspiração com cautela e sentir orgulho em fazer funcionar com os recursos disponíveis. Isso se reflete na forma como eles compram – atenciosos, atentos ao valor, mas ainda assim emocionalmente ligados a marcas que parecem autênticas e humanas. Quais são os principais desafios que as empresas portuguesas enfrentam para chegar aos seus clientes? O mundo nunca foi tão rápido – e nunca mais será tão lento como agora. Isso é desafiador porque exige que as empresas estejam constantemente atentas e adaptem estratégias, inovação e comunicação. Metaforicamente, assim como a Microsoft atualiza seu software cerca de 25 vezes por ano – o mesmo como um carro Tesla – seu produto deveria fazer o mesmo, refletindo as mudanças da realidade. Esse é o desafio: quem se adaptar será o vencedor de amanhã. Neste momento, o que os consumidores das marcas buscam e esperam? Autenticidade, simplicidade e honestidade. Em um momento em que as campanhas de marketing influenciam cada vez mais o comportamento do cliente, os consumidores ainda têm verdadeira “liberdade de escolha”? Sim – se eles pesquisarem. O problema é o excesso de opções, que leva muitas pessoas a desistir e seguir conselhos fáceis obtidos por meio do ChatGPT ou outros aplicativos de pesquisa. Além disso, fica cada vez mais difícil tomar decisões totalmente próprias, porque compartilhamos cada vez mais e mais informações em plataformas como Netflix, Facebook, TikTok… Elas coletam dados e os transformam em mensagens altamente personalizadas e quase irresistíveis, nos tornando mais suscetíveis à persuasão. Como o neuromarketing pode ajudar a fortalecer o relacionamento entre cliente e marca? É mais benéfico para empresas ou consumidores? Por quê? Em teoria, beneficia ambos. O neuromarketing ajuda a identificar padrões comportamentais fortes e aplicá-los no design de produtos e serviços. Isso tem sido especialmente útil, por exemplo, no desenvolvimento de automóveis – para entender até que ponto as telas distraem o motorista e causam perigo. Do lado das empresas, ajuda a distinguir o que é ruído do que é comunicação relevante. Também permite “limpar” lojas, organizando os produtos de forma a prender atenção sem “gritar” com os clientes. Leia Também: Por que você sempre gasta muito dinheiro quando vai ao supermercado

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