Conflito pode gerar “aumento expressivo” dos combustíveis em

Combustíveis: ENSE confirma "cerca de uma centena de postos

Em declarações à Lusa, António Comprido comentou que as cotações do crude, da gasolina e do gasóleo registaram “um aumento expressivo” nos últimos dias, acompanhando a tensão no Médio Oriente, que poderá refletir-se num “agravamento significativo” no preço dos combustíveis. “Neste momento, ainda só temos a cotação de ontem (segunda-feira) e hoje, que está fechando, mas de fato assistimos a um aumento significativo das cotações, tanto do petróleo bruto quanto dos produtos refinados”, disse o responsável da entidade que representa as empresas de combustíveis e lubrificantes em Portugal. O preço do barril de petróleo bruto Brent, referência na Europa, acumulou uma alta de mais de 17% desde sexta-feira, depois de ultrapassar hoje os 85 dólares pela primeira vez desde o verão de 2024, embora posteriormente tenha moderado sua alta ligeiramente acima dos 83 dólares, com uma recuperação de mais de 7% em relação ao fechamento de segunda-feira. O responsável explicou que o mecanismo de fixação de preços em Portugal segue, em geral, a média das cotações da semana anterior, de modo que, caso a tendência de alta se mantenha, o impacto deve se refletir nos preços de venda ao público. “Se se mantiver esta alta de preços ao longo desta semana, e infelizmente os acontecimentos no Irão não anteveem nada de bom, inevitavelmente isso vai-se repercutir depois nos preços de venda ao público em Portugal”, disse, sublinhando que o efeito será sentido “em Portugal e no resto do mundo”. Questionado sobre a dimensão do possível aumento, Antonio Comprido admitiu não ser possível avançar, por enquanto, com estimativas concretas, mas reconheceu que o impacto pode ser expressivo. “Pode ser um agravamento significativo. Olhei hoje para as cotações da gasolina e do diesel, que subiram substancialmente, mais até do que o petróleo bruto, então podemos ter um impacto significativo aqui”, disse. O secretário-geral da EPCOL frisou, contudo, que ainda é cedo para quantificar, uma vez que o cálculo resulta da média semanal e os dados disponíveis são preliminares. “A amostra não é promissora”, resumiu. Sobre a possibilidade de agravamento dos custos de transporte e frete, o executivo reconheceu que essa pressão adicional é esperada, ainda que as cotações de referência na região de Amsterdã-Roterdã-Antuérpia já integrem um componente de transporte. “É natural que os fretes também aumentem, porque os combustíveis para os navios também vão aumentar, e portanto tudo isso é um pouco em cascata”, explicou, acrescentando que as perspectivas “não são muito positivas” do ponto de vista da economia e dos consumidores, que devem “sentir quase certamente no bolso um agravamento dos preços”. Questionado sobre possíveis medidas do governo para mitigar a alta, António Comprido lembrou que, durante a crise energética associada à invasão da Ucrânia, a União Europeia autorizou medidas excepcionais para mitigar o impacto nos Estados-membros. “A ferramenta sempre existe, que é mexer na carga tributária, não tem outra alternativa. Agora, se o Governo está em condições ou pretende fazer isso, não tenho minimamente nenhuma indicação por enquanto nesse sentido”, concluiu. Na segunda-feira, o ministro da Economia admitiu que o aumento do preço do petróleo “não é uma boa notícia” e garantiu que o executivo vai, se for necessário, tomar as medidas adequadas para que a economia funcione. Israel e Estados Unidos lançaram um ataque militar contra o Irã no sábado, para “eliminar as ameaças iminentes do regime iraniano”, e Teerã respondeu com mísseis e drones contra bases americanas na região e alvos israelenses. Leia Também: Combustíveis caíram na reta final de 2025. E os impostos?

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