Conselho Europeu tenta hoje dar resposta aos elevados preços

Conselho Europeu tenta hoje dar resposta aos elevados preços

Será o primeiro encontro presencial de alto nível desde o início dos ataques de Israel e dos Estados Unidos ao Irã e a consequente resposta iraniana, no final de fevereiro, e os chefes de Estado e de governo dos 27 da UE vão focar o debate na questão energética. O início da reunião está previsto para as 09h00 de Lisboa (10h00, em Bruxelas). A escalada do conflito no Oriente Médio, região crucial para o fornecimento global de combustíveis fósseis, está provocando uma alta acentuada nos preços do petróleo e do gás e afetando a economia europeia, com impacto direto nas famílias e no poder de compra dos consumidores. É nesse contexto — já descrito pelo presidente do Conselho Europeu, António Costa, como “dramático e desafiador” — que os líderes da UE vão discutir medidas para mitigar os impactos imediatos e acelerar a transição energética. Entre as opções em discussão na UE estão a redução de impostos e encargos nas contas de energia, a criação de apoio aos consumidores mais vulneráveis ​​e às indústrias intensivas e, a longo prazo, a mudança do mercado europeu de carbono para limitar a volatilidade dos preços e apoiar a descarbonização industrial. Em uma carta dirigida aos líderes da UE antes da reunião do Conselho Europeu, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, propôs várias medidas urgentes, como a liberação de reservas estratégicas de petróleo para compensar possíveis interrupções no Estreito de Ormuz e a coordenação para restaurar a navegação na região. A responsável sugeriu, também, que se diversifique o abastecimento e se evitem restrições às exportações no mercado de fertilizantes, considerados essenciais para os agricultores e para a segurança alimentar global. A longo prazo, Ursula von der Leyen disse querer a UE a acelerar o investimento em energias renováveis ​​para diminuir a dependência do gás, promover contratos de longo prazo de eletricidade para dar maior estabilidade de preços às empresas, evitar o encerramento prematuro de infraestruturas energéticas de baixo carbono como centrais nucleares e permitir apoios estatais. Os Estados Unidos e Israel lançaram em 28 de fevereiro um ataque militar contra o Irã e, em resposta, Teerã fechou o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. Como consequência, o tráfego de petroleiros no estreito caiu drasticamente e aumentou a instabilidade relacionada à oferta, pressionando os preços. Nesta cúpula europeia, será igualmente debatido o bloqueio húngaro ao já acordado empréstimo de 90 bilhões de euros da UE à Ucrânia, sem se esperar avanços. Outros assuntos em cima da mesa dizem respeito ao próximo orçamento comunitário de longo prazo, segurança e defesa e migrações. O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, foi convidado para um almoço de trabalho sobre a deterioração da situação internacional e como a UE e seus parceiros podem trabalhar juntos para defender o multilateralismo. Portugal será representado pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro. Leia Também: UE debate segurança energética após escalada no Oriente Médio

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