Corrida aos postos? Há um país da UE que já está a racionar

Suécia anuncia redução dos impostos sobre os combustíveis

A Eslovénia tornou-se no primeiro país da União Europeia (UE) a implementar uma medida de racionamento de combustíveis, devido às perturbações no mercado causadas pela guerra no Irão. De acordo com a BBC, os condutores privados estão sujeitos a um limite diário de 50 litros de combustível, ao passo que empresas e agricultores podem comprar até 200 litros por dia.

O objetivo da medida, explica o mesmo meio de comunicação, é combater o chamado “turismo de combustível”, já que condutores de países vizinhos deslocam-se lá para comprar combustível mais barato.
A escalada dos preços da energia – em particular dos combustíveis – tem levado vários países a tomar medidas. Na segunda-feira, recorde-se, foi anunciado que a Suécia vai reduzir temporariamente os impostos sobre a gasolina e o gasóleo para fazer face à subida vertiginosa dos preços da energia devido à guerra no Médio Oriente.
Aqui ao lado, em Espanha, o IVA nos combustíveis, eletricidade e gás natural vai baixar em Espanha de 21% para 10%, dentro de um pacote de “redução drástica da fiscalidade energética” para responder ao impacto da guerra no Médio Oriente.
Por cá, o Governo de Luís Montenegro tem optado por fazer um desconto, semanalmente, no Imposto sobre os Produtos Petrolíferos e Energéticos (ISP), sendo que o desta semana foi decidido numa altura em que estava prevista uma nova subida dos preços dos combustíveis rodoviários para a próxima semana.
Em Portugal, os preços estão a subir pela terceira semana consecutiva, num momento de forte tensão geopolítica no Médio Oriente, com os valores do petróleo pressionados pelo encerramento do estreito de Ormuz e pela volatilidade dos mercados internacionais. 
Portugal está disposto a ajudar na reabertura do Estreito de Ormuz
De recordar que Portugal juntou-se ao grupo de 30 países dispostos a ajudar na reabertura do Estreito de Ormuz, bloqueado pelo Irão desde o início da guerra, confirmou o Ministério dos Negócios Estrangeiros.   
Portugal subscreveu um texto onde 30 países afirmam estar prontos para “contribuir para os esforços destinados a garantir a passagem segura” pelo Estreito de Ormuz.
Publicado inicialmente pelo Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Países Baixos e Japão na quinta-feira, a declaração defende que “segurança marítima e liberdade de navegação beneficiam todos os países” e apela a todos os Estados para respeitarem o direito internacional e defendam os “princípios fundamentais da prosperidade e segurança globais”.
Segundo a página do Governo britânico, além de Portugal, também subscreveram a declaração Trinidad e Tobago, República Dominicana, Croácia, Bulgária, Kosovo, Panamá e Macedónia do Norte, juntando-se à Austrália, Canadá, Coreia do Sul, Dinamarca, Letónia, Eslovénia, Estónia, Finlândia, Noruega, Nova Zelândia, República Checa, Roménia, Suécia e Emirados Árabes Unidos. 
No comunicado, estes países condenam os recentes ataques do Irão contra navios comerciais, ataques a infraestruturas energéticas de petróleo e gás e ao “encerramento de facto” do estreito de Ormuz e exigem que Teerão pare “imediatamente as suas ameaças, colocação de minas, ataques com drones e mísseis e outras tentativas de bloquear o estreito à navegação comercial”.
No texto, os países signatários frisam que a “interferência na navegação internacional e a perturbação das cadeias de abastecimento energético globais constituem uma ameaça à paz e à segurança internacionais” e pedem uma “moratória imediata e abrangente sobre os ataques a infraestruturas civis, incluindo instalações de petróleo e gás”.
A declaração foi publicada a 19 de março, horas após a companhia energética pública do Qatar confirmar “danos consideráveis” no complexo de gás de Ras Laffan causados por ataques de mísseis iranianos.
Os ataques de retaliação do Irão também afetaram instalações petrolíferas e de gás natural em outros países árabe vizinhos e bloquearam o Estreito de Ormuz, uma rota marítima importante. 
Os ataques iranianos são uma retaliação contra a operação militar iniciada em 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e Israel contra a República Islâmica, que resultou na morte de vários líderes e milhares de civis.
O conflito levou a um aumento do preço do petróleo para cerca de 110 dólares, após ter registado um recorde de 119 dólares há uma semana, muito acima dos 72 dólares em que negociava antes da guerra, alimentando receios de dificuldades semelhantes às crises do petróleo de 1973 e de 1979.
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