Credores aprovam PER da Loja do Gato Preto com corte de 80%

O plano aprovado, no âmbito de um Processo Especial de Revitalização (PER), prevê uma “aposta no canal online”, a “redução substancial do número de lojas físicas”, das atuais 15 para cinco lojas em Portugal, a demissão de trabalhadores e um corte de 80% na dívida, com bancos e fornecedores aceitando perdas de 18 milhões de euros. Na Espanha, onde a marca Gato Preto está presente, as cinco lojas existentes serão fechadas. Segundo o plano de recuperação, que a Lusa consultou, serão dispensados os trabalhadores das lojas fechadas, em número não especificado, e mais oito a onze funcionários na sede e no armazém. Atualmente, a empresa tem 153 funcionários. As cinco lojas físicas que permanecerão abertas estão localizadas no Almada Fórum, Mar Shopping (Matosinhos), Freeport Alcochete, Ubbo Amadora e Palácio do Gelo (Viseu). Foram fechadas ou vão fechar as lojas das Amoreiras e Colombo em Lisboa, Oeiras Parque, Norte Shopping em Matosinhos, Montijo, Arena Shopping em Torres Vedras, Arrábida Shopping em Gaia, Alegro Sintra, Alegro Setúbal e Mondego Retail Park em Coimbra. Os custos do fechamento chegam a 215 mil euros e as indenizações aos trabalhadores a cerca de 900 mil euros. A recuperação da situação financeira do Gato Preto é baseada no perdão de 80% do capital em dívida, avaliado em 49,5 milhões de euros, e no perdão total de juros vencidos e vincendos. O Aquinos Group SGPS, dono da empresa, que detém cerca de 52,2% dos créditos (25,8 milhões de euros), vai perdoar toda a dívida. Além do acionista, o maiores credores são os bancos, com 24,7% dos créditos (R$ 12,2 milhões), seguidos pelos fornecedores com 20% (R$ 9,8 milhões) e trabalhadores, com 3,2% (R$ 1,6 milhão). Por classe de credores, o plano garante aos empregados e ex-empregados o pagamento dos créditos trabalhistas de R$ 1,6 milhão em nove parcelas mensais, sem juros, a partir do quatro mês posterior ao trânsito em julgado da sentença homologatória da Justiça. Já as indenizações dos trabalhadores demitidos, avaliadas em 900 mil euros, e os custos de fechamento das lojas serão suportados pela receita da venda de um armazém na Quinta de Lavi, em Sintra, estimada em 1,2 milhão de euros, a ser realizada “no prazo máximo de 12 meses”. Os bancos, que só vão recuperar R$ 2,4 milhões dos R$ 12,2 milhões devidos, e os fornecedores, que recuperam dois milhões dos R$ 9,8 milhões devidos, serão ressarcidos em 60 parcelas mensais, com início a partir do 13º mês posterior ao trânsito em julgado da sentença. Os bancos credores do Gato Preto são BBVA (2,5 milhões de euros), Novobanco (1,9 milhão de euros), BPI (1,9 milhão), Caixa Geral de Depósitos (1,5 milhão) e BCP (1,2 milhão). O capital social da empresa também será reduzido de 19,5 milhões de euros para 50 mil euros, “para cobertura de resultados transitados negativos” da empresa. Para 2026 e 2027, está previsto um volume de vendas de 9,2 milhões de euros e 10,5 milhões de euros, respectivamente, com cerca de metade da receita a ser realizada pelo canal online. “O fechamento dessas lojas permitirá que a empresa reduza significativamente sua estrutura operacional, resultando em melhor otimização de custos com aluguel, armazenagem e logística, com impacto direto na sustentabilidade financeira e na eficiência operacional do negócio”, sustenta o documento. A rede de lojas de decoração fechou 2025 com perdas de R$ 11 milhões e viu as vendas caírem de R$ 40 milhões para menos de R$ 20 milhões nos últimos cinco anos fiscais. As dificuldades se acentuaram com o fechamento de lojas físicas e a queda no faturamento causada pela pandemia, e com a entrada maciça de produtos asiáticos por meio de plataformas digitais “com menor preço e qualidade inferior”. Eventos extraordinários como o encalhe do navio Ever Given, que interrompeu a navegação no Canal de Suez em março de 2021, levou a “um aumento substancial nos custos de transporte e causou rupturas no fornecimento de produtos sazonais essenciais para o ‘core business’ da empresa”. A retenção, por três dos maiores despachantes da empresa de cerca de 17 contêineres de mercadorias, no valor de 1,5 milhão de euros, também comprometeram “o regular abastecimento de produtos”, indica o plano. A consultora EY chegou a procurar potenciais investidores para a Loja do Gato Preto, através da entrada no capital da empresa ou da sua venda, mas a falta de resultados levou o grupo Aquinos a apresentar um PER junto do Juízo de Comércio do Tribunal Judicial de Lisboa Oeste – Sintra. O tribunal deverá deliberar sobre a homologação do plano em até dez dias. Leia também: Já vale mais de US$ 90: Brent atinge máxima desde abril de 2024



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