Crise energética: Governo rejeita recomendar teletrabalho ou

“A questão do teletrabalho, para nós, ainda não está na mesa. Há muitas formas de chegar ao trabalho e não estamos nem discutindo essa questão ainda”, disse a ministra da Energia, Maria da Graça Carvalho. Em declarações aos jornalistas portugueses em Bruxelas após uma intervenção na sessão do Conselho da Diáspora, a governante salientou que também não existe recomendação para reduzir as viagens de avião — sendo estas duas recomendações da Agência Internacional de Energia –, vincando que “as pessoas têm o direito às suas férias e às viagens”, quando se aproxima o verão. “Temos uma grande diáspora que tem direito a viver a família e gosta de voltar para Portugal (…) e o turismo é 15% do nosso PIB, mas também individualmente, as pessoas gostam de viajar, faz parte de aumentar sua cultura, e eu não queria estar aqui fazendo uma recomendação a ser evitada, por enquanto”, elencou. De acordo com a Maria da Graça Carvalho, no caso da Galp e da Repsol, o combustível da aviação (jetfuel) “está assegurado até ao fim de agosto e (…) se a guerra se intensificar, (…) têm planos para a importação dos 20%”. “Eles têm planos B e C (…) e pode continuar a não haver problema, mas é mais problemático porque o efeito dessas crises são cumulativas. Vamos ter esperança que acabe antes de agosto”, disse, aludindo à guerra do Irã causada pelos ataques norte-americanos e israelenses e consequente resposta iraniana. “Portanto, vamos tentar que não seja preciso fazer reduções. Nós temos um plano de eficiência energética em muitas coisas”, apontou ainda. No final de abril, a Comissão Europeia divulgou uma série de medidas para enfrentar os altos preços da energia, incluindo apoio direcionado a consumidores e empresas, possíveis reduções de impostos e ajustes de tarifas e uso de instrumentos de mercado e reservas estratégicas. Na ocasião, Bruxelas recuou e não apresentou recomendações para reduzir o consumo de energia, como uso de teletrabalho ou alternativas a avião e carro, mas garantiu que “continua claramente” incentivando a UE a fazer tal redução. Em rascunho anterior consultado pela Lusa, Bruxelas sugeriu que os países da UE promovessem pelo menos um dia obrigatório de teletrabalho por semana, adotassem alternativas ao carro (como bicicletas compartilhadas, compartilhamento de veículos, mais veículos elétricos e maior uso do transporte público) e evitassem viagens aéreas sempre que possível, na linha do que é recomendado pela Agência Internacional de Energia (AIE), mas isso não foi assumido depois. A AIE recomendou, já hoje, que Portugal apoie a compra de veículos elétricos usados, sobretudo por famílias de baixos rendimentos, para reduzir emissões num setor dos transportes ainda muito dependente do petróleo. Respondendo a tal sugestão, Maria da Graça Carvalho garantiu que o executivo “já faz isso há algum tempo” para veículos elétricos novos, e em breve deve lançar um novo concurso. Quanto à recomendação da AIE de retirar custos não energéticos da fatura da eletricidade, a governante apontou que a luz em Portugal é das mais baixas da União Europeia e não tem registado subidas devido à crise energética dado ser mais afetada por renováveis do que pelo gás. A União Europeia importa a maior parte do petróleo e gás que consome, o que a torna altamente exposta a choques externos como a atual crise energética, que é principalmente de preços. Leia Também: Vice do BC alerta que economia ainda não reflete impacto da guerra



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