DBRS avisa: Guerra pode causar “aumento dos preços dos

O conflito no Oriente Médio pode desencadear consequências para a indústria de fertilizantes, que terá impacto depois, em cadeia, nos preços dos alimentos, alertou nesta quarta-feira a Morningstar DBRS. Em uma análise, a agência explica que a “escassez de matérias-primas para fertilizantes pode levar os agricultores da União Europeia a usar menos fertilizantes em suas colheitas, o que pode resultar em aumento dos preços dos alimentos e até mesmo na falta de alimentos se o conflito persistir”. Aparentemente a DBRS, a UE exporta fertilizantes da Bélgica e da Holanda, mas obtém 15% do potássio e 11% do fosfato de Israel. Além disso, também tira 30% do nitrogênio do Egito e, portanto, “as exportações de ambos os países provavelmente serão afetadas negativamente de forma significativa pelo conflito”. Isso significa que a “exposição da UE a fornecedores de países do Golfo Pérsico a torna vulnerável a flutuações de preços e restrições na cadeia de suprimentos”. A DBRS avisa, por isso, que a “continuidade do conflito no Oriente Médio pode ter um impacto significativo” pode ter um impacto em efeito dominó ou em cadeia, que culminará com um preço mais alto dos alimentos nas prateleiras. Portugueses vão sentir nos “combustíveis e na eletricidade” Os conflitos na região do Golfo terão impacto na economia portuguesa principalmente através dos preços, sendo que poderão também colocar pressão sobre as contas públicas, nomeadamente após o choque causado pelas tempestades, apontam economistas à Lusa. “O impacto mais visível do conflito será nos preços dos combustíveis e também eletricidade”, indicou à Lusa Ricardo Amaro, lead economist para a Zona Euro da Oxford Economics, acrescentando que ainda há “vários cenários em cima da mesa neste momento”. A estimativa para o barril do petróleo situa-se perto dos 80 dólares no próximo trimestre, mas com um regresso para os níveis de janeiro no verão, notou, “com a média anual ficando-se pelos 68 dólares por barril, apenas ligeiramente acima dos 65 dólares previstos pelo governo no Orçamento do Estado”. Ainda assim, há riscos que podem aumentar os efeitos, dependendo da duração do conflito ou da possibilidade de um impacto mais agressivo no curto prazo, “particularmente se o Irã conseguir suspender a circulação no estreito de Ormuz de forma prolongada”, alertou. Além dos preços energéticos e possíveis distúrbios nas cadeias de abastecimento, “há também a considerar possíveis impactos nos mercados financeiros e/ou confiança dos consumidores e empresas que podem intensificar o impacto económico do conflito”, admitiu o economista, ainda que ressalvando que a economia portuguesa “reduziu a sua dependência no petróleo ao longo do tempo e está hoje menos vulnerável a eventuais subidas no seu preço”. O economista Ricardo Ferraz, professor no ISEG e na Lusófona, também destacou, à Lusa, que “há riscos elevados de podermos vir a ser penalizados por esta guerra, mas tudo dependerá da sua duração”, sendo que um conflito prolongado levaria a acelerações nas taxas de inflação. “Se essa inflação se mostrar persistente, isso levará as autoridades monetárias a aumentar novamente as taxas de juros, com um impacto recessivo na economia e no emprego (numa altura em que a zona do euro permanece frágil e em que os principais motores teimam em não arrancar)”, notou, o que pesaria sobre a economia portuguesa, quando ainda está a “tentar recuperar do choque das tempestades, que afetou gravemente parte das nossas empresas, em especial na zona de Leiria, altamente exportadora”. Já no que diz respeito às contas públicas, Ricardo Amaro apontou que há efeitos contraditórios, e a “alta de preços penaliza atividade econômica, mas em parte isso é compensado pelo efeito da inflação que aumenta as receitas de IVA e ISP, por exemplo”. Leia Também: “Sempre que o mundo treme, a gente paga a conta”: O impacto por aqui da guerra



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