Dinheiro no feminino: Dos estereótipos à liderança

“As mulheres que trabalham no mundo da comunicação e da tecnologia financeira enfrentam um duplo desafio: não só temos de abrir caminho em setores tradicionalmente dominados por homens, como temos a imensa responsabilidade de mudar a narrativa. As palavras constroem realidades e, durante demasiado tempo, a história contada sobre a relação das mulheres com o dinheiro esteve repleta de condescendência e estereótipos. Em Portugal, os dados mostram uma realidade persistente: as mulheres ganham, em média, menos 242 euros por mês do que os homens, cerca de três mil euros por ano. Feitas as contas, as mulheres precisam trabalhar mais 56 dias por ano para ganhar o mesmo que os homens. Essa disparidade salarial não está relacionada à capacidade, mas sim às regras de um mercado de trabalho que continua jogando contra muitas mulheres. Segundo o Parlamento Europeu, as causas para essa diferenciação passam por maior carga de trabalho não remunerado, como cuidar dos filhos ou executar tarefas domésticas, interrupção do trabalho para cuidar dos filhos, mais mulheres nos setores com salários baixos e sub-representação com salário menor em posições de direção. como alimenta um ciclo vicioso: menos renda significa menos capacidade de poupar e, portanto, uma maior vulnerabilidade diante de imprevistos. Esse vazio financeiro é o terreno fértil perfeito para estereótipos como o “girl math”, que perpetuam o mito de que somos impulsivas ou incapazes de gerir patrimônio. Mas a realidade é que os números contam uma história radicalmente diferente. 2024, por exemplo, obtiveram um rendimento 2,6% maior do que as carteiras administradas por homens, superando-os em todas as faixas etárias. nos obrigam a encarar a lacuna estrutural que ainda persiste. Embora invistamos melhor, investimos menos. Se olharmos para o perfil do investidor português, vemos que os homens têm contas e carteiras médias três vezes maiores que as mulheres (5.000€ vs 1.650€). risco, também se traduz no tipo de investimento que fazem: se as mulheres preferem opções mais seguras, como fundos do mercado monetário, os homens se arriscam mais em ações. Somos mais conservadoras, sim, mas também mais constantes e estratégicas. de Wall Street nem dispor de um grande capital para colocar o dinheiro para render. A verdadeira igualdade de gênero e a independência real passam, inevitavelmente, pela conta corrente e pela carteira de investimentos. começarmos com menos, somos imparáveis.” Leia Também: Skincare e streaming: Jovens portugueses priorizam bem-estar em serviços



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