E-Lar? “Custos escondidos estão a surpreender consumidores”

E-Lar? "Custos escondidos estão a surpreender consumidores"

“Custos escondidos estão a surpreender consumidores” na hora de utilizar ou vouchers do E-Lar, o programa que apoia a troca de eletrodomésticos, de acordo com a DECO PROteste. 

“Apesar de os vouchers do programa E-lar comparticiparem a compra de eletrodomésticos, e, em alguns casos, o transporte e instalação dos equipamentos, muitos consumidores estão a ter gastos inesperados para conseguirem aproveitar a oferta”, adianta  organização de defesa do consumidor. 
De acordo com a DECO PROTeste, “as primeiras reclamações surgiram logo na primeira vaga de respostas a candidaturas”.
Custos escondidos são despesa inesperada
“O voucher atribuído às famílias que beneficiam de tarifa social de energia comparticipa a troca de eletrodomésticos e ainda os custos com a entrega e a instalação dos equipamentos. No entanto, o programa nada diz sobre os custos com a desinstalação dos aparelhos velhos, nem com o serviço de tamponamento do gás, que é obrigatório sempre que uma saída de gás é desativada”, explica a DECO PROteste. 
Por isso, “cabe ao consumidor suportar todas as despesas com estes serviços, sem os quais não é possível trocar um esquentador por um termoacumulador, um fogão por uma placa de indução ou um forno a gás por um forno elétrico”.
“Em alguns casos, os instaladores estão ainda a exigir uma visita prévia ao local da obra, para avaliar se o local da instalação está pronto para receber o novo equipamento ou se lhe falta alguma adaptação. E também essa deslocação está a ser cobrada aos candidatos, sem que com ela estivessem a contar”, explica ainda a DECO PROteste. 
Todos os serviços contratados no mesmo fornecedor
Há ainda uma outra questão: “Como o voucher do programa E-lar é de utilização única, os consumidores interessados na troca de vários equipamentos estão obrigados à compra dos vários aparelhos no mesmo fornecedor. Uma exigência que já havia merecido a crítica da DECO PROteste, por impedir que os consumidores pudessem escolher cada eletrodoméstico no fornecedor com as condições mais favoráveis”.
Além disso, “o voucher de utilização única está a obrigar também os consumidores a contratar todos os serviços adicionais no local onde escolheram os eletrodomésticos novos”, sendo que esta é “uma obrigação que se aplica a todos os grupos de candidatos, sejam famílias com tarifa social ou tarifa normal de eletricidade”.
“E, ainda que estes consumidores queiram desistir do processo ou mudar de fornecedor, já não o conseguem fazer, pois não é possível recuperar um voucher que já ficou cativo num fornecedor”, pode ler-se. 
Atenção!
A DECO PROteste deixa uma recomendação: os consumidores devem pedir orçamentos em várias lojas antes de fornecerem o código do seu voucher. “É muito importante que se contabilizem previamente não só os preços dos aparelhos novos, mas também os custos com eventuais deslocações de técnicos, possíveis obras de adaptação, serviços de desinstalação de equipamentos e de tamponamento de gás”.
E atenção: “Durante este processo de recolha de orçamentos, os consumidores não devem fornecer o seu voucher, uma vez que este poderá ficar cativo de imediato. O voucher apenas deve ser dado ao fornecedor escolhido para avançar com todo o processo e aceitando os custos adicionais orçamentados”.
Outros problemas
À DECO PROteste chegaram ainda “relatos fundamentados de que o sistema não reconheceu os números de identificação fiscal (NIF) nem os códigos de ponto de entrega (CPE) dos candidatos como sendo de titulares de contratos de eletricidade” e “estes consumidores tinham os seus dados comprovadamente válidos, mas, ainda assim, o sistema excluiu-os automaticamente do programa”.
“Apesar de terem a certeza de ser elegíveis, estes consumidores apenas puderam reclamar para o e-mail do programa, já que nenhum outro canal de contacto foi disponibilizado para dar suporte aos candidatos”, pode ler-se no site da organização de defesa do consumidor.
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