Empresários moçambicanos esperam dias “difíceis” com subida

Empresários moçambicanos esperam dias "difíceis" com subida

“Significa que teremos este impacto todo repassado aos consumidores finais. Podemos esperar dias mais difíceis”, disse à Lusa o vice-presidente da Confederação das Associações Económicos (CTA), Onório Manuel, reconhecendo que a problema já era “conhecido, mas não na perspetiva do aumento dos combustíveis que influenciam em todas as áreas”. “Quanto ao consumidor final, às famílias, haverá redução do poder de compra”, admitiu. Em causa está o impacto nas cadeias globais dos combustíveis da guerra no Médio oriente. “É uma situação que temos que aceitá-la e não politizar. E isso não tem absolutamente nada a ver com aquilo que é a boa ou não gestão do Governo. Tem a ver com a conjuntura internacional”, referiu o responsável, considerando a redução do poder da compra do consumidor como um “impacto direto” desta crise. Moçambique enfrenta dificuldades no abastecimento de combustíveis há várias semanas, com postos fechados em todo o país e filas generalizadas, além de limites na compra de diesel ou gasolina e redução na oferta de transporte, na esteira do conflito no Oriente Médio. Em Moçambique, o diesel subiu hoje 45,5% e a gasolina 12,1%, com o regulador do setor justificando a revisão para cima dos combustíveis com os preços praticados internacionalmente. Entre outras consequências dos reajustes nos preços de combustíveis, sobretudo para o consumidor final, a CTA aponta o aumento do custo de vida das famílias que, alertou, “vai perpetuar” situações de “desigualdade”. “Teremos aqui as famílias moçambicanas tendo muito mais dificuldades para suprirem necessidades básicas. Fazerem cesta básica. Vão ser dias muito difíceis. (…) O Governo tem que desenhar estratégia com o setor privado, encontrar formas para reanimar a economia”, defendeu. Onório Manuel reconheceu que para Moçambique são esperados “impactos nefastos” e com reflexos em toda a cadeia, da produção ao escoamento de produtos, nos vários setores, dos quais o turismo, comércio, serviços, agricultura, além dos transportes. “No fundo, não haverá setor que não terá impacto”, disse. Como alternativas para mitigar o impacto defendeu o reforço do transporte público, com introdução de veículos elétricos e outros movidos a gás, considerando específico para aliviar o peso e ajudar na sobrevivência da população. O vice-presidente da CTA reconheceu ainda que as empresas moçambicanas não estavam preparadas para os novos preços de combustíveis, pedindo intervenção do Governo para mitigar os efeitos. “A situação era inevitável, mas isso não significa que as empresas estão preparadas, não, embora, digamos, as empresas moçambicanas sejam especialistas em lidar com crises”, disse, pedindo, contudo, a mobilização de fundos para o setor produtivo. Um litro de gasolina passa a custar 93,69 meticais (1,23 euros), ante os anteriores 83,57 meticais (1,10 euros). O preço do diesel passa de 79,88 meticais (1,06 euros) para 116, 25 meticais (1,54 euros), o óleo de iluminação de 66,86 meticais (0,87 cêntimos de euros) para 97,56 meticais (1,29 euros), o gás de cozinha de 86,05 meticais (1,14 euros) para 87,82 meticais (1,15 euros) por quilograma e o gás natural veicular de 41,11 meticais (0,54 cêntimos de euros) para 52,73 meticais (0,69 cêntimos) por litro. Leia Também: Chapo classifica de boatos e mentiras superstições que causaram 58 mortos

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