CTA Alerta Que 2026 Será um Ano de Travessia Difícil Para a
advertisemen tA economia moçambicana deve enfrentar, em 2026, um cenário marcado por crescimento econômico fraco, riscos elevados e forte pressão sobre as finanças públicas, em um contexto de escassez de divisas, inflação alimentar volátil e investimento privado fraco. O alerta foi feito nesta segunda-feira, 23 de fevereiro, pelo economista da CTA, Egas Daniel, durante a apresentação do Mozambique Business Outlook 2026, na segunda edição do evento EU Business Network 2026, realizado no Centro Cultural Franco-Moçambicano, em Maputo. Durante sua fala, o economista traçou um quadro realista da situação macroeconômica, ressaltando que as perspectivas para 2026 seguem condicionadas aos choques sofridos em 2025, ano em que as previsões de crescimento foram sucessivamente revisadas para baixo, passando de 3,5% para apenas 0,5%, segundo estimativas recentes do Fundo Monetário Internacional (FMI). Para o próximo ano, as projeções apontam para um crescimento econômico inferior a 2,1%. “Os efeitos das tensões sociais, choques climáticos e outros fatores estruturais mostram uma recuperação lenta e gradual da economia, que não permitiu um crescimento robusto em 2025 e continua a condicionar 2026”, disse Egas Daniel. Segundo o economista, fatores como ciclones, enchentes, escassez de divisas e o fechamento da Mozal seguem pesando negativamente sobre a economia. No caso da maior unidade industrial do País, o impacto é particularmente grave, já que a Mozal representa cerca de 91% do valor adicionado da indústria de transformação e aproximadamente 15% das exportações nacionais. “A Mozal parou de importar matérias-primas desde abril de 2025, o que significa que as exportações atuais podem não ser sustentáveis no médio prazo, criando um choque significativo para a economia”, alertou. Embora a inflação global permaneça relativamente baixa e estável, Egas Daniel chamou a atenção para a alta volatilidade dos preços dos alimentos. “Quando sofremos choques, a inflação dos alimentos é a primeira a reagir, e isso pode gerar tensões sociais, o que constitui um risco econômico significativo”, ressaltou, acrescentando que a média recente desse componente está próxima dos dois dígitos. No sistema financeiro, o economista observou que a queda da ‘prime rate’ não resultou em aumento proporcional do crédito às empresas. Pelo contrário, em 2025, o crédito às famílias ultrapassou o crédito ao setor empresarial pela primeira vez. Além disso, a maior parte do financiamento foi direcionada para capital de giro, em detrimento do investimento produtivo. “Isso mostra que os riscos econômicos estão pressionando o fluxo de caixa das empresas, levando-as a se financiar mais para sobreviver do que para investir”, explicou. No front externo, Egas Daniel destacou a fragilidade das reservas internacionais, que dependem de fluxos voláteis de investimentos estrangeiros. A deterioração do saldo da balança corrente, aliada à queda das exportações, provavelmente intensificará a pressão sobre as moedas e as taxas de câmbio. Nesse contexto, o analista argumentou que a flexibilização da política cambial é praticamente inevitável. “O custo de não flexibilizar a política cambial pode ser mais alto, pois continuamos importando inflação, aumentando os custos de transação e perdendo competitividade nas exportações”, alertou. Outro ponto crítico foi a queda acentuada da participação da União Europeia (UE) no comércio exterior de Moçambique. Entre 2020 e 2024, a participação da Europa nas exportações caiu de 36% para 15%, refletindo uma orientação crescente para os mercados asiáticos. Essa tendência, segundo o economista, poderia ser agravada pela introdução do mecanismo europeu de ajuste de carbono, que impõe impostos adicionais sobre as exportações intensivas em carbono. Egas Daniel é vice-presidente do Pelouro de Política Monetária e Serviços Financeiros da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) Nas finanças públicas, Egas Daniel apontou o setor empresarial estatal como uma das principais fontes de risco fiscal. Os ativos das estatais representam cerca de 70% do Produto Interno Bruto (PIB), valor bem acima da média global. “Temos um setor empresarial estatal excessivamente grande, com baixa eficiência, baixa contribuição tributária e distribuição reduzida de dividendos, o que acaba penalizando o setor privado e pressionando as finanças públicas”, frisou. O economista também alertou que a crescente dependência do Estado em financiamentos de curto prazo aumenta a probabilidade de atrasos nos pagamentos a fornecedores, o que enfraquece ainda mais o empresariado. “Fazer negócios com o Estado nesse cenário exige um gerenciamento de risco rigoroso, pois a probabilidade de atrasos é alta”, concluiu. Ao encerrar sua fala, Egas Daniel defendeu a necessidade de reformas estruturais, maior prudência na política fiscal e cambial e a criação de condições mais favoráveis ao investimento produtivo, para que 2026 não se torne um ano perdido para a economia moçambicana. O EU Business Network 2026 é uma plataforma de networking de alto nível, que reúne empresários europeus e moçambicanos, representantes do Governo, corpo diplomático e parceiros institucionais. Promovido pela Câmara de Comércio da União Europeia (UE) em Moçambique (EUROCAM), o evento visa reforçar as relações econômicas UE-Moçambique e fomentar novas oportunidades de cooperação e investimento. Texto: Germano Ndlovoa dvertisement



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