Explicador. Portugal vai mexer reservas de petróleo, eis o

Explicador. Portugal vai mexer reservas de petróleo, eis o

O conflito no Oriente Médio levou Portugal – e outros países – a terem que mexer em suas reservas de petróleo para que haja mais oferta e, assim, tentar frear a alta dos preços dos combustíveis. Quanto Portugal tem nas reservas? Portugal tinha 1,56 milhão de toneladas de reservas físicas de petróleo e produtos petrolíferos no último trimestre do ano passado, segundo dados da ENSE – Entidade Nacional para o Setor de Energia. Segundo o mapa de reservas da ENSE, dessas reservas, 538 mil toneladas são de petróleo bruto, 51,4 mil toneladas de gasolina, 297,8 mil toneladas de diesel e 51 mil toneladas de GLP e Fuel. Onde estão essas reservas? Estão armazenadas em vários locais, incluindo na Petrogal em Sines e Matosinhos e na Companhia Logística de Combustíveis (CLC) em Aveiras. Já 623,9 mil toneladas correspondem a ‘tickets’, ou seja, estão armazenadas em outros países. Segundo informações no ‘site’ da ENSE, a entidade “mais especificamente a unidade de reservas petrolíferas, na sua qualidade de Entidade Central de Armazenagem (ECA), é responsável por garantir trinta dias de reservas de segurança nacionais”. Além disso, “as operadoras têm a obrigação de constituir os 90 dias, sendo 30 dias constituídos obrigatoriamente pelo ECA e sendo responsáveis ​​pela constituição dos 60 dias restantes em local a ser informado obrigatoriamente à ANEEL”. Em 3 de março, a ENSE disse à Lusa que Portugal tem reservas para 93 dias de consumo, em um cenário de disrupção, ressalvando que as importações nacionais não têm exposição a Ormuz nas quantidades de mercadorias adquiridas e transportadas. Quanto Portugal vai mobilizar? O primeiro-ministro, Luís Montenegro, anunciou na quarta-feira que Portugal vai disponibilizar “em princípio” 10% das reservas estratégicas de petróleo para poder haver mais oferta e maior contenção nos preços dos combustíveis. “Vamos compartilhar com vários parceiros em escala internacional aquela que foi uma das conclusões da reunião do G7 e vamos disponibilizar uma parte importante, em princípio 10%, das nossas reservas estratégicas para poder haver mais oferta e maior contenção no preços dos combustíveis”, anunciou Luís Montenegro, em declarações aos jornalistas. Portugal associa-se, assim, ao acordo dos países membros da Agência Internacional de Energia (AIE) que decidiram hoje libertar no conjunto nos mercados 400 milhões de barris de petróleo das reservas estratégicas. Quando essas reservas serão mobilizadas? A ministra do Ambiente e da Energia esclareceu que ainda não está definido quando Portugal vai disponibilizar 10% das reservas energéticas de petróleo: “A Agência Internacional de Energia achou que deveríamos estar preparados para reagir se o preço aumentar muito. Portanto, (…) nós aderimos por solidariedade, mas ainda não está decidido (quando será disponibilizado). Estamos a coordenar a nível europeu se vamos mesmo libertar agora. Pode não ser agora, pode ser mais tarde (…) depende da evolução dos preços”, disse, também na quarta-feira, Maria da Graça Carvalho. Questionada se não foi estabelecido um “teto máximo” dos valores que os combustíveis devem atingir para que as reservas portuguesas sejam disponibilizadas, a ministra reiterou que ainda não foi definido um limite e que é necessário que os países europeus liberem as reservas em conjunto. “Não fizemos um teto, não fizemos um valor. Vamos coordenar entre nós qual é que é a altura ideal. Claro que terá sempre a ver com o valor do petróleo, mas não definimos um teto”, explicou, indicando de que os países da OCDE ainda têm “alguma esperança que esta guerra se resolva no período de três ou quatro semanas”. Leia Também: Oferta de petróleo cai oito milhões de barris por dia em março

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