Exportação de alumínio por Moçambique cresceu para 1.170

Exportação de alumínio por Moçambique cresceu para 1.170

De acordo com dados compilados pela Lusa a partir do mais recente relatório do Banco de Moçambique que detalha as exportações, de janeiro a dezembro de 2025, esse volume representa um crescimento de 20% face aos 1.126 milhões de dólares (980 milhões de euros) em todo o ano de 2024, e compara ainda com os 1.101 milhões de dólares (959 milhões de euros) em 2023. A exportação de barras de alumínio por Moçambique tem vindo a crescer e o banco central explicou, em relatório anterior, que esse aumento foi “impulsionado tanto pelo aumento dos preços quanto pelo crescimento do volume exportado”. A australiana South32 confirmou em 16 de março que a Mozal, maior indústria moçambicana, está em regime de manutenção e conservação desde o dia anterior, prevendo gastar 52,4 milhões de euros com a suspensão da fundição, incluindo no despedimento dos trabalhadores. “Nos últimos seis anos, nos envolvemos extensivamente com o Governo da República de Moçambique, com a Eskom (sul-africana que compra energia de Moçambique e a vendia para a fundição) e com outras partes interessadas, mas não conseguimos garantir um fornecimento de energia suficiente e acessível para a Mozal além de março de 2026”, disse o diretor executivo da South32 (que detém 63,7% da fundição), Graham Kerr, citado em informação divulgada pela empresa. Com o regime em que a fundição, uma das maiores da África – com mais 1.000 trabalhadores diretos e 4.000 indiretos -, está desde domingo, sem produção, a South32 disse hoje que prevê gastar 60 milhões de dólares (52,4 milhões de euros), incluindo na “rescisão de contratos”, custando só a manutenção, anualmente, cinco milhões de dólares (4,4 milhões de euros). “Embora este não seja o resultado que desejávamos, estamos orgulhosos da história e da contribuição significativa que a Mozal deu à comunidade local e à economia moçambicana em seus 25 anos de operação”, acrescentou Kerr, na mesma informação. Pelo menos cinco empresas fecharam pouco antes de a fundição suspender a atividade e dezenas de outras podem paralisar as atividades no Parque Industrial de Beluluane, sul de Moçambique, devido à suspensão da Mozal, segundo a empresa que gere aquela infraestrutura. “Nós estimamos um universo de 25 empresas que prestam bens e serviços à Mozal. Já nos foi comunicado que a maioria destas empresas, em função daquilo que é a paralisação das atividades na Mozal, também estão a considerar acionar os mecanismos na mesma proporção”, disse à Lusa em 13 de março Onório Manuel, diretor-geral da Mozparks, entidade que gere aquele parque industrial, o maior do país, a 20 quilómetros de Maputo. Com a saída da fábrica em Moçambique, prevê-se agora um impacto “nefasto” no ritmo de crescimento e desenvolvimento do parque, que estava, segundo o responsável, “muito acelerado e atraindo cada vez mais indústrias”. “Na cifra da indústria transformadora, no Produto Interno Bruto, (a Mozal) contribuía com uma média de 49%, ou seja, o PIB de Moçambique é de 16 mil milhões de dólares (13,8 mil milhões de euros), a indústria transformadora contribui em 10%. Estamos a falar de 1,6 mil milhões de dólares (1,3 mil milhões de euros) de contribuição da indústria. Quase a metade disso é a contribuição da Mozal, então, até o PIB de Moçambique, sobretudo no setor social, vai decrescer”, concluiu Onório Manuel. A South32 considerou anteriormente “totalmente insustentável” a tarifa de energia proposta à fundição de alumínio Mozal, em Maputo, justificando assim seu fechamento, sem descartar reativar a maior indústria moçambicana, se as condições mudarem. Em recente chamada com investidores australianos, a cuja transcrição a Lusa teve acesso e que envolvia a apresentação dos últimos resultados da South32, o diretor executivo, Graham Kerr, explicou que a “única oferta formal” para fornecimento de energia pela elétrica sul-africana Eskom foi de quase 100 dólares por megawatt-hora (MWh), quando, “fora da China, menos de 1%” das fundições têm contratos acima de 50 dólares por MWh. Leia Também: Moçambique pagou 630 milhões de euros e deixou dívida com o FMI a zero

Publicar comentário