Exportação de alumínio por Moçambique dispara antes do fecho

Exportação de alumínio por Moçambique dispara antes do fecho

Segundo dados compilados pela Lusa a partir do mais recente relatório do Banco de Moçambique, que detalha as exportações de janeiro a junho de 2025, esse volume contrasta com os 479,9 milhões de dólares (406,1 milhões de euros) no mesmo período de 2024. Esse crescimento, aponta ainda, foi “impulsionado tanto pelo aumento dos preços como pelo crescimento do volume exportado”, que consiste em barras de alumínio. O Fundo Monetário Internacional (FMI) reconhece que a anunciada suspensão da atividade da Mozal, uma das maiores fundições de alumínio da África e que não chegou a um acordo com as autoridades moçambicanas para as tarifas de um novo contrato de fornecimento de eletricidade, representa um risco para a economia de Moçambique. A posição, que aparece em um relatório de avaliação da economia moçambicana no âmbito das consultas regulares, aprovado em 13 de fevereiro, diz que os “riscos” para as perspectivas econômicas de Moçambique são atualmente “fortemente negativos”, dando como exemplo a Mozal, que representa 4% do Produto Interno Bruto (PIB). “As negociações em andamento sobre tarifas de eletricidade com a Mozal representam riscos adicionais”, diz a mesma posição. A central sindical moçambicana OTM alertou em fevereiro que a suspensão da atividade da Mozal representa um “terremoto”, devido ao peso na economia nacional e às demissões. “Se esse prenúncio se concretizar, estaremos diante de uma espécie de terremoto nacional, cuja magnitude sentiremos logo na hora, já que essa multinacional contribui significativamente para o PIB (Produto Interno Bruto), com aproximadamente 4%, sendo uma das maiores indústrias do país, impulsionando as exportações e gerando milhares de empregos diretos e indiretos”, disse o secretário-geral da Organização dos Trabalhadores de Moçambique – Central Sindical (OTM-CS), Damião Simango. O aviso vem depois de a Mozal ter comunicado ao comitê sindical da empresa a intenção de avançar com um despedimento coletivo, no âmbito da suspensão da atividade prevista para 15 de março, face ao diferendo em torno das tarifas de energia a fornecer à fundição de alumínio. A Lusa noticiou em 12 de fevereiro que a Mozal vai avançar com um despedimento coletivo, no âmbito da suspensão da atividade em março, conforme comunicação feita ao comité sindical da empresa de fundição, que emprega diretamente mais de mil trabalhadores. Em questão, segundo o documento enviado este mês ao comitê sindical, está o “processo de consulta de demissão coletiva” e respectivo pacote de indenizações, no âmbito do litígio em torno do fornecimento de energia à fundição. A australiana South32 garantiu no mesmo dia que suspenderá, em 15 de março, a atividade da fundição de alumínio Mozal, apesar das tentativas do governo de superar a disputa. “Ele passará para o regime de manutenção e conservação em março de 2026 devido à impossibilidade de garantir um fornecimento de energia elétrica suficiente e acessível”, disse Graham Kerr, diretor-executivo da South32, principal acionista da Mozal. A South32 admitiu continuar a dialogar com o Governo, a Hidroelétrica de Cahora Bassa (HCB) e a energética sul-africana Eskom para garantir o fornecimento de “eletricidade suficiente e acessível” até a suspensão em março, quando o acordo atual expira. A Mozal compra quase metade da energia produzida em Moçambique, essencialmente pela HCB, e já admitiu aceitar um aumento nas tarifas a pagar, mas garantiu que a proposta recebida era muito maior do que as praticadas em outros países. Em 18 de agosto, o presidente moçambicano, Daniel Chapo, afirmou que as tarifas de energia propostas pela Mozal levariam ao colapso da HCB. Leia Também: Moçambique quer apostar em cadeias produtivas contra concentração na extração

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