FC Porto SAD com lucro de 1,9 milhão no primeiro semestre

FC Porto SAD com lucro de 1,9 milhão no primeiro semestre

“Estes resultados são de destacar, uma vez que ambos foram obtidos em exercícios económicos em que o FC Porto participou na Liga Europa, não dispondo da receita muito mais significativa da Liga dos Campeões”, sustentou a SAD no relatório e contas enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). Porém, o resultado líquido atribuível aos detentores de capital da FC Porto SAD foi negativo em 0,9 ME, em contraste com os 0,334ME positivos registados no primeiro semestre de 2024/25, numa época em que os ‘dragões’ ficaram novamente arredados dos montantes relativos à participação na Liga dos Campeões. Conforme esclareceu à Lusa o diretor financeiro dos ‘azuis e brancos’, José Pedro Pereira da Costa, o diferencial deve-se à entrada da Ithaka Infra III no capital da Porto StadCo, empresa de exploração comercial do Estádio do Dragão, em outubro de 2024, passando 30% dos resultados a não serem imputáveis ​​à SAD desde então. A gestora do futebol profissional dos ‘dragões’ destacou a redução significativa, no primeiro semestre da temporada, da dívida financeira líquida em 46,6 ME, com abatimento do passivo em cerca de dois ME, em relação a janeiro de 2025, para os 517,2 ME registrados em dezembro. Para isso, a reestruturação da dívida, conseguida através do empréstimo obrigacionista de 115 ME pela subsidiária Dragon Notes, permitiu aos ‘azuis e brancos’ amortizarem integralmente os restantes 26 ME da operação de titularização de créditos “Dragon Finance No. 2”, que vencia juros de 11%. Os portistas somaram 39,3 ME de EBITDA, valor correspondente aos lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização, em relação aos 35,1 ME do mesmo período do ano passado, como reflexo dos “meios operacionais liberados pela sociedade”, enquanto o ativo ascendeu a 510,99 ME, aumentando em cerca de 2,24 ME em relação ao final da última temporada. O aumento das receitas relativas à venda de passes de jogadores em 15,3 ME em relação aos 26,4 ME registrados no mesmo período da última temporada, foi um dos fatores mais decisivos para o equilíbrio das contas portistas, atingindo o valor de 41,6 ME. Por sua vez, as receitas operacionais excluindo passes de jogadores cresceram 3,8 ME, com melhorias em termos de bilhetagem e patrocínios, como parte de uma “reorganização interna” do Grupo FC Porto, apesar da redução de 2,2 ME em receitas de direitos de televisão, devido ao fato de a equipe principal de futebol ter realizado mais um jogo em casa no mesmo período do ano passado. As melhorias, explicou o presidente André Villas-Boas, foram fundamentais para que o FC Porto avançasse para o maior investimento de todos os tempos, superior a 111 milhões de euros, no reforço do plantel no mercado de verão. “Do ponto de vista econômico-financeiro, os resultados refletem uma trajetória de consolidação e recuperação sustentável tendente a ter uma exploração econômica equilibrada. O aumento das receitas operacionais — com destaque para as receitas comerciais integrando patrocínios e bilhetagem, onde o aumento contínuo do número de sócios e o aumento e venda integral de Lugares anuais alimentam fundadas expectativas”, acrescentou o líder ‘azul e branco’. Em contrapartida, os custos operacionais excluindo passes incrementaram de 74,2 ME no período homólogo para 87,9 ME, o que se deve sobretudo ao aumento acentuado, em quase 34%, dos custos com pessoal, de 38,2 ME para 51,2 ME. “Os custos com o pessoal, que têm grande representatividade na estrutura de custos (58% no período em análise), como é típico nesta atividade, englobam os gastos salariais relativos aos elencos de futebol, equipes técnicas e toda estrutura de pessoal das diversas empresas representadas neste consolidado, assim como os respectivos encargos fiscais e seguros associados aos acidentes de trabalho”, justificaram os ‘dragões’. O capital próprio portista continua negativo, atingindo o valor negativo de 6,2 ME, o que, ainda assim, representa um desagravamento de 4,2 ME face a 30 de junho de 2025. “O primeiro semestre do exercício 2025/26, que corresponde à primeira metade da época desportiva em curso, confirmou a capacidade do FC Porto para responder com determinação, equilíbrio e competência às exigências crescentes do contexto em que atua, quer no campo desportivo, quer na componente financeira”, concluiu André Villas-Boas. Leia Também: FC Porto começa a preparar recepção ao Rio Ave com cinco baixas

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