Fed e BCE decidem sobre juros durante guerra mas devem

Michele Morganti, estrategista sênior de ações da Generali AM, apontou, em análise, que “no cenário base, os bancos centrais devem ignorar o pico temporário da inflação”. Essas reuniões ocorrem em um momento em que as tensões no Oriente Médio, incluindo o fechamento do estreito de Ormuz, por onde passam cerca de 20% da produção global de petróleo e quase 20% do gás natural liquefeito, têm trazido maior volatilidade nos preços, em especial da energia. O Fed “provavelmente fará um corte de juros ainda este ano (mais cedo do que o mercado projeta atualmente), enquanto o BC deve manter as taxas inalteradas (em comparação com os +47 pontos-base projetados até o final do ano)”, ressaltou a analista, sendo que “apenas em um cenário de escalada prolongada” poderia se esperar que “o BC subisse as taxas em até 50 pb e o Fed em 25 pb até o final de 2026”. O banco central americano será o primeiro a revelar a decisão, em entrevista coletiva marcada para quarta-feira, acompanhada de novas previsões econômicas. Na reunião de janeiro, o FOMC “manteve a taxa no intervalo de 3,50% a 3,75%, enfatizando uma abordagem dependente de dados diante de um crescimento resiliente e pressões persistentes sobre a inflação subjacente”, lembrou a Xtb, em nota de antecipação. “Não se espera nenhuma mudança”, indicam os analistas da Xtb, com os “futuros descontando uma probabilidade de quase 100% de manutenção, mas todos os olhos estarão voltados para o resumo atualizado das projeções econômicas, o novo gráfico de pontos e a coletiva de imprensa do presidente Powell”. Segundo a Xtb, “os dados mais fracos do mercado de trabalho colocam o Fed em uma situação um tanto complicada, pois enfrenta pressões inflacionárias mais altas, tornando o equilíbrio dos riscos nas projeções atualizadas e as observações de Powell especialmente críticos para definir o tom das expectativas em relação às taxas muito além da decisão imediata”. O BPI Research também prevê que o Fed “volte a manter a taxa dos ‘fed funds’ no intervalo de 3,50%-3,75%” nesta reunião, uma decisão que é “amplamente descontada pelos mercados financeiros (probabilidade de 100%) e antecipada pelo consenso dos analistas”. Michael Krautzberger, diretor de Investimento Global de Mercados Públicos da Allianz GI, é da mesma opinião, apesar de ressaltar que há uma minoria que discorda em favor de um corte. “Globalmente, espera-se que Powell reafirme uma postura de cautela, citando a baixa visibilidade no curto prazo, mas também o otimismo continuado pelos ganhos de oferta impulsionados pela IA e pela produtividade no médio prazo”, disse ele, em nota de análise. Já o BC dará conta do resultado da reunião de março na quinta-feira. O banco central também manteve a taxa de depósito inalterada em 2% na última reunião, reiterando sua expectativa de que a inflação se estabilize na meta de 2% no médio prazo, enquanto ressaltou uma abordagem dependente de dados. “Embora nenhuma mudança nas taxas seja esperada, as novas projeções e a coletiva de imprensa da presidente Christine Lagarde serão acompanhadas com grande atenção”, indicou a Xtb, e o “aumento dos preços da energia devido às tensões no Oriente Médio obscureceu o caminho para a desinflação, provavelmente introduzindo um tom mais ‘hawkish’ nas perspectivas”. Segundo a Xtb, a expectativa dos mercados passou de uma manutenção das taxas durante a maior parte de 2026 para a possibilidade de um primeiro aumento de 25 pontos base para a reunião de julho, com um segundo aumento de 25 pontos base quase totalmente descontado para a reunião do BCE em dezembro. Michael Krautzberger também indicou que o BCE deve manter as taxas de juros inalteradas em sua próxima reunião, “ainda que adotando um tom mais vigilante em resposta à forte alta dos preços da energia após o conflito com o Irã”. “Com os mercados já precificando uma probabilidade de cerca de 80% de aumento da taxa de juros até o final de 2026, esperamos que o BC valide essa precificação em vez de contestá-la”, ressaltou. Mesmo que não se antecipe uma mudança iminente na política monetária, “a mensagem vai mudar para uma maior prontidão para agir caso as expectativas de inflação comecem a se desviar”. Leia Também: Prestação da casa: BC vai subir taxas já neste mês? Lagarde deixa pistas



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