Francisco Pedro Balsemão diz que “as parcerias são

O gestor falava na mesa redonda “sustentabilidade e o futuro digital”, no âmbito da conferência “A comunicação social e futuro digital: 20 anos de regulação”, que hoje decorreu no Museu Oriente, em Lisboa. “As parcerias são importantes, nós temos parcerias”, disse o presidente executivo da dona da SIC e do Expresso. “Temos parceiros importantes, por exemplo, na área do Expresso temos um ‘bundle’ (pacote) com o New York Times, temos também na área da produção audiovisual, parcerias com a Amazon, agora mais recentemente com o Disney Plus”, elencou. Francisco Pedro Balsemão apontou ainda que o grupo tem parceiros nacionais, fazendo parte de associações como a PMP. “Nós acreditamos sempre nas parcerias desde sempre”, sublinhou. Quem está aqui, na mesa redonda, numa alusão aos grupos de media presentes, “é porque se antecipou sempre àquilo o que são as tendências, as melhores tendências de hábitos de consumo ao longo dos anos ou de muitas décadas”, prosseguiu, recordando que o grupo foi o primeiro a lançar a primeira televisão privada em Portugal, entre outros. Vai continuar a existir um forte pendor para monetizar os conteúdos através da publicidade, considerou. Questionado como vê o futuro do papel, Francisco Pedro Balsemão disse: “Na nossa opinião, (…) enquanto houver alguém e isso faça sentido a termos de negócio, imprimir e distribuir em papel, alguém que queira ler, nós vamos continuar a imprimir papel”. O gestor apontou ainda algumas questões ligadas ao papel como o de monopólios de distribuiçao, da área de impressão, os quais dificultam, “mas o papel vai ser importante enquanto parte integrante da dieta, vá lá, das pessoas que gostam de ler notícias”. “Se for digital é digital, se for áudio é áudio, se for papel é papel, mas aí nós temos que fazer sentido, em termos de negócio”, referiu. Na preparação da sua intervenção, Francisco Pedro Balsemão foi recuperar declarações do seu pai, Francisco Pinto Balsemão, falecido em outubro, sobre o tema numa conferência da ERC em outubro de 2007 e outra em 2008. “O velho estilo de regulação já não é adequado para regular um número indeterminado de fornecedores de serviços, de produtores profissionais e amadores de conteúdos lineares e não lineares, ‘on demand’, em rede social, em blogs, etc., para além do peso determinante dos motores de busca que, sem produzirem conteúdos próprios, se servem, muitas vezes, abusivamente, dos nossos e absorvem muito mais de 50% da publicidade mundial ‘online'”, leu Francisco Pedro Balsemão, citando a intervenção do pai em 2008. “E mais uma vez vos digo que não podem ser os media tradicionais a pagar a fatura, só porque é mais fácil legislar sobre eles, ou contra eles, e conceder os consequentes poderes de intervenção aos reguladores”, acrescentou o gestor, dando o exemplo que já na altura Francisco Pinto Balsemão olhava com preocupação para o tema que é bastante atual. “A preservação das marcas é fundamental para o futuro da comunicação social, mas não se compadece com visões passadistas dos Estados, dos reguladores, da Comissão Europeia e do Parlamento Europeu, que continuam apostados em restrições à publicidade nos meios tradicionais, enquanto no mundo real, no tal mundo em mudança, os motores de busca e similares se apropriam dos anunciantes, infringem as leis do ‘copyright’ e impedem o fortalecimento das marcas credíveis e consagradas”, disse o fundador da Impresa, em 2008, citado pelo filho. No encerramento da conferência, a presidente do Conselho Regulador da ERC, Helena Sousa, anunciou a aprovação do prémio Mário Mesquita, que vai distinguir trabalhos de investigação académica. “A criação deste prémio enquadra-se num dos objetivos estratégicos do nosso mandato — a aproximação entre a ERC e os centros de conhecimento. É uma honra poder fazê-lo, tendo como inspiração o nosso colega e professor Mário Mesquita (…), que se mantém como ponto cardeal para a regulação dos media”, afirmou. Leia Também: Herdeiros de Balsemão dividem participação na ‘holding’



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