Gás natural está a disparar: Fatura da eletricidade também

Além do petróleo, o gás natural também tem estado a disparar no seguimento do conflito no Médio Oriente e é expectável que isso se reflita nos preços da eletricidade – e, por consequência, na fatura que os portugueses pagam todos os meses.
O preço do gás natural disparou, na segunda-feira, para mais de 61 euros por megawatt-hora (MWh) e acumulava já uma valorização de mais de 92% desde o início da guerra entre os EUA e Israel contra o Irão.
O motivo pelo qual o gás natural está a subir
O Irão encerrou o estreito de Ormuz e lançou ataques de retaliação contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã, Iraque, Chipre e Turquia.
O Estreito de Ormuz é também uma rota importante para o transporte de gás natural liquefeito (GNL), especialmente proveniente do Qatar, um dos maiores exportadores mundiais. Se o tráfego de navios for perturbado, pode haver menos oferta no mercado global, o que tende a pressionar os preços.
Qualquer redução no fornecimento global pressiona os preços do gás, que afetam não só os contratos de gás industrial, mas também a produção de eletricidade em centrais a gás.
O preço do gás natural disparava hoje 15,5% para mais de 61 euros por megawatt-hora (MWh), e acumula uma valorização de mais de 92% desde o início da guerra entre os EUA e Israel contra o Irão.
Lusa | 13:07 – 09/03/2026
Preço da eletricidade vai ser afetado?
Sim, sobretudo de forma indireta. Em muitos países europeus, incluindo Portugal, o gás natural continua a ser utilizado para produzir eletricidade.
O preço da eletricidade é formado no mercado grossista ibérico (MIBEL), de acordo com a oferta e a procura horárias. O preço final corresponde, geralmente, ao custo da última central necessária para satisfazer a procura, normalmente a gás natural.
Quando o gás fica mais caro, o custo de produção de eletricidade também pode aumentar, o que pode ter impacto nas tarifas no mercado grossista.
A indústria, sobretudo os setores com maior consumo de gás, geralmente sente os efeitos primeiro, devido à ligação direta aos preços do mercado grossista.
Para consumidores domésticos, o impacto depende do tipo de contrato: tarifas reguladas ou indexadas ao mercado podem refletir subidas em semanas a meses, enquanto contratos fixos podem não sofrer alteração imediata, pois o preço só muda na renovação ou se a empresa aplicar uma cláusula de revisão extraordinária com aviso prévio.
A tensão no Médio Oriente voltou a colocar o mercado energético em alerta depois de o Irão declarar controlo sobre o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas mundiais de transporte de petróleo e gás.
Lusa | 13:58 – 06/03/2026
Porque é que o conflito com o Irão pode fazer subir os preços da energia?
Os preços do petróleo e do gás são definidos em mercados globais. Se existir risco de interrupção no fornecimento, os mercados tendem a antecipar escassez e os preços sobem. Mesmo que a produção mundial não diminua imediatamente, a simples ameaça de bloqueio da rota pode levar a uma subida dos preços nos mercados internacionais, como aconteceu agora com o conflito.
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