Gás? Portugal tem “capacidades de transporte e armazenamento

Gás? Portugal tem "capacidades de transporte e armazenamento

Em resposta por escrito à questão se Portugal tem capacidade suficiente de transporte e armazenamento de gás para lidar com choques externos, como a escalada de tensão no Médio Oriente, a REN explicou que o sistema nacional de gás “tem capacidades de transporte e de armazenamento adequadas à dimensão do seu mercado”, incluindo as redundâncias exigidas pela legislação e regulamentação nacional e europeia. Portugal tem reservas de gás suficientes para cerca de 93 dias de consumo em caso de disrupção, como indicou recentemente à Lusa a Entidade Nacional para o Setor Energético (ENSE), acrescentando que as importações nacionais não têm exposição ao Estreito de Ormuz nas quantidades adquiridas e transportadas. Ainda assim, a REN – responsável pela gestão do sistema nacional de gás, incluindo o armazenamento – ressaltou que “nenhum país da Europa tem reservas suficientes para um horizonte plurianual sem importações”. Questionada sobre o plano de contingência caso haja alta súbita da demanda ou interrupção temporária de fornecimento, ela assegurou que “as autoridades nacionais, para enfrentar cenários de crise, têm planos de resposta previstos para diferentes níveis de crise, incluindo planos de contingência e de emergência nacional”. Segundo dados da plataforma Gas Infrastructure Europe (GIE) consultados pela Lusa, os níveis de armazenamento de gás em Portugal (76,72%) permanecem próximos da capacidade máxima, muito acima da média europeia, que está significativamente mais baixa neste momento (29,40%), tendo em conta que estamos no fim do Inverno, época de maior consumo. No entanto, em termos absolutos, Portugal tem uma das menores capacidades de armazenamento da União Europeia, o que faz com que os níveis de enchimento apareçam frequentemente próximos do máximo em termos percentuais. O reforço da capacidade de armazenamento de gás em Portugal foi anunciado em 2022, no contexto da crise energética desencadeada pela guerra na Ucrânia. Na ocasião, o então secretário de Estado de Energia, João Galamba, avançou com a criação de uma reserva estratégica nacional de gás e com o reforço da capacidade de armazenamento no complexo subterrâneo do Carriço, em Pombal. Está prevista a construção de duas novas cavernas subterrâneas, com capacidade adicional de mais de 1,2 terawatt-hora (TWh) e investimento estimado em cerca de 90 milhões de euros. No Plano de Desenvolvimento e Investimento da Rede de Gás (PDIRG 2026-2035) foi indicada uma previsão de entrada em operação sequencial entre 2027 e 2028, embora a implementação dependa da decisão final de investimento, licenciamento e objetivos definidos pelo concedente. Instada a comentar o ponto de situação dessa infraestrutura, a REN disse apenas que “o horizonte temporal para a entrada em serviço de duas novas cavidades de armazenamento de gás, apresentado no PDIRG, é indicativo e sua efetiva implementação depende da data/objetivo pretendido e da decisão de aprovação, em conformidade, do Concedente”, ou seja, do Estado. O conflito com o Irã colocou novamente o mercado global de energia em alerta após Teerã declarar controle sobre o Estreito de Ormuz, por onde passam cerca de 20% do petróleo mundial e parte significativa do gás natural liquefeito (GNL). Apesar de Portugal não depender diretamente do Oriente Médio, mudanças na oferta ou percepções de risco podem se refletir nos preços de petróleo, gás e eletricidade no país. Segundo dados de 2024 da Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG), no caso do gás natural, Portugal tem sido abastecido principalmente pela Nigéria (51%) e pelos Estados Unidos (40%), tendo deixado de comprar gás do Qatar há mais de três anos. Leia Também: Irã? UE disponível para “facilitar retorno à mesa de negociações”

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