Gasolina com 32% de etanol evitará dependência do Brasil da

Gasolina com 32% de etanol evitará dependência do Brasil da

Ainda na semana passada, o governo brasileiro anunciou que até o primeiro semestre deste ano irá aumentar a percentagem de etanol na mistura obrigatória com a gasolina, passando dos atuais 30% para 32%. 

A alteração ocorre no contexto da escalada dos preços do barril do petróleo a nível mundial, devido aos efeitos da guerra no Médio Oriente.
Atualmente, o Brasil importa cerca de 15% da gasolina que consome e, após o conflito, o preço internacional do combustível subiu 65%, segundo dados da ANP. 
“Esses 30% de etanol na gasolina ajuda-nos bastante a diminuir, a evitar a dependência de produto importado. E já está encaminhado para o aumento dessa mistura para 32%, chegando no número próximo de 1/3 do nosso volume de gasolina”, sublinhou Artur Watt.
Para o diretor-geral da ANP, os biocombustíveis funcionam como um “colchão de proteção” de oscilações de preços, ao diminuir a necessidade do Brasil de importação de gasolina e gasóleo. 
Em 2025, o etanol na gasolina subiu de 27% para 30% e o biodiesel no gasóleo de 14% para 15%, resultado dos avanços da implementação da lei do “Combustível do Futuro”, de 2024, que amplia gradualmente a mistura de biocombustíveis. 
No caso específico do etanol, Artur Watt lembrou que o insumo funciona como concorrente direto da gasolina devido à frota diversificada de carros no Brasil, o que permite que os consumidores tenham opções de escolhas nos postos de abastecimento.
No caso do biodiesel, classificou como “essencial”, uma vez que o Brasil ainda importa de 25 a 30% de gasóleo. 
“Mesmo com esses 15% (de biodiesel na mistura), a gente ainda importa de 25 a 30% do gasóleo consumido do país. Então, se não tivéssemos essa mistura, estaríamos muito mais dependentes da importação do gasóleo”, sublinhou. 
Especialistas ouvidos pela Lusa destacaram que, em relação à adaptação para os veículos, o setor de biodiesel enfrenta desafios maiores que o do etanol, já que motores a gasóleo exigem testes rigorosos, o que leva a agência reguladora a adotar uma postura cautelosa quanto ao aumento da mistura.
Artur Watt frisou que o aumento da mistura do biocombustível não é uma decisão exclusiva da ANP, mas sim do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), instância que envolve vários órgãos do governo federal.
“A ANP ajuda nos estudos e nas avaliações técnicas. E esses aumentos (de mistura) obviamente requerem alguma cautela, inclusive de capacidade de produção nacional”, destacou, ao elencar que, no caso do etanol, “não existem maiores problemas” no aumento da mistura, uma vez que o resultado das pesquisas são positivos. 
O desafio, observou, continua a ser o biodiesel, cujos estudos até 17% na mistura continuam em andamento. 
O diretor-geral da agência reguladora reconhece que há desafios na cadeia logística do biodiesel no país, uma vez que esse biocombustível é menos estável que derivados do petróleo, o que gera preocupação sobre condições de armazenamento e tempo de circulação das reservas. 
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