Greve geral à vista! CGTP e UGT unem-se pela primeira vez

O secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira, anunciou, no sábado, em Lisboa, uma greve geral para o dia 11 de dezembro, considerando o pacote laboral do Governo um “ataque brutal” aos trabalhadores. Após o anúncio, as reações políticas não tardaram com apelos ao diálogo e com um “cheira à ‘troika'”. Afinal, que se disse? “Anunciamos a realização da greve geral contra o pacote laboral”, disse o secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira, num discurso nos Restauradores, em Lisboa, no final da marcha contra o pacote laboral. Tiago Oliveira disse que, “com posição já tomada ou em processo final de decisão por muitas estruturas sindicais, foi possível estabelecer a convergência para uma greve geral no próximo dia 11 de dezembro”. O secretário-geral da CGTP classificou este pacote laboral como “um dos maiores ataques já feito aos trabalhadores”, reiterando que “é um chorrilho de alterações a legislação do trabalho que, se passassem, seria um verdadeiro retrocesso na vida de todos”. A greve geral irá juntar os sindicatos da CGTP e UGT, a primeira passados dez anos. O secretário-geral da CGTP anunciou hoje uma greve geral para 11 de dezembro, no final da marcha nacional contra o pacote laboral, em Lisboa. Lusa | 17:21 – 08/11/2025 As reações políticas: “Cheira à ‘troika'” ou “terá que acontecer”? O secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, considerou que “os tempos não se repetem”, mas “há cheirinhos”. “Cheira à ‘troika’, mas não é de agora. Cheira à ‘troika’ no Orçamento, cheira à ‘troika’ no desmantelamento do Serviço Nacional de Saúde (SNS), cheira à ‘troika’ no que diz respeito à Educação e às propinas, cheira à ‘troika’ na lei laboral, cheira, cheira”, afirmou. Também o vereador do PCP na Câmara de Lisboa, João Ferreira, reagiu à convocação da greve com uma curta frase: “O ataque é brutal, a greve é geral”. O ataque é brutal, a greve é geral. — João Ferreira (@joao_ferreira33) November 8, 2025 Já a coordenadora cessante do Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua, apontou que o executivo PSD/CDS-PP chefiado por Luís Montenegro é até, “em muitas medidas, mais ideológico do que o Governo durante a ‘troika'”, período em que “havia a desculpa de haver um memorando”. “Agora não há nenhuma desculpa. Este é um Governo ideológico e tem um programa para o país: é o programa de liberalizar, de privatizar, de vender aquilo que resta do serviço público, de atacar o trabalho, de precarizar as relações laborais e de diminuir os salários”, sustentou. PCP e BE acusaram hoje o Governo de estar capturado pelos grandes grupos económicos e governar com a ideologia da ‘troika’, em resposta ao primeiro-ministro, que falou em captura das centrais sindicais por interesses de partidos políticos. Lusa | 18:37 – 08/11/2025 O que dizem os candidatos a Belém? A candidata presidencial Catarina Martins defendeu que, se o pacote do Governo mantiver os termos do anteprojeto aprovado em julho, “um Presidente da República tem de o mandar imediatamente para fiscalização preventiva da constitucionalidade”. “Eu acho muito importante que todos os candidatos à Presidência da República se pronunciem sobre o que acham que o Governo pôs em cima da mesa”, salientou, notando que o pacote laboral constitui “um ataque ao trabalho” e “viola a Constituição da República Portuguesa” no que respeita ao direito à greve e à proibição de despedimentos sem justa causa. Abraços cheios de luta. De futuro e também de reencontro. Da luta pela vinculação de precários, pelos posto de trabalho, pela reforma por inteiro depois de uma vida de trabalho. Se o governo quer um pacote laboral que torna a vida pior, as pessoas saem à rua por uma vida melhor pic.twitter.com/qTJjIfrIdN — Catarina Martins (@catarina_mart) November 8, 2025 Já António Filipe, candidato presidencial apoiado pelo PCP, qualificou o pacote laboral de “uma arma do patronato contra os trabalhadores” e prometeu que vai ser “solidário com as formas de luta que os trabalhadores decidirem empreender para evitar que esta proposta de alteração da legislação liberal vá por diante”. “Eu sei que a eleição para o Presidente da República é no dia 18 (de janeiro), o Presidente da República tomará a posse apenas em (09 de) março, eu espero que até lá esta proposta de lei seja derrotada”, frisou. Uma grande acção de luta convocada pela CGTP-IN, onde os trabalhadores fizeram ouvir a sua voz contra o pacote laboral e o agravamento das injustiças. Perante esta ofensiva, foi já anunciada uma Greve Geral para 11 de Dezembro.O Presidente da República deve ouvir este sinal… pic.twitter.com/0aLrZ5NIxz — Antonio Filipe (@AntonioFilipe) November 8, 2025 Por seu turno, Jorge Pinto considerou que o anteprojeto do Governo, tal como está, “representa um retrocesso tremendo aos direitos dos trabalhadores” como não se via “há muitos anos”, realçando que significa “mais precariedade” e “mais horas de trabalho e que é um ataque ao direito à greve, um facilitar o despedimento sem que o próprio trabalhador tenha a capacidade de se defender”. “Eu, enquanto Presidente da República, e digo-o com toda a clareza, vetaria politicamente esta proposta se ela me chegasse nos moldes em que está. E acho que o Governo e os partidos políticos da Assembleia da República ainda vão a tempo de ouvir estes milhares de pessoas”, afirmou o deputado e candidato presidencial apoiado pelo Livre. Os candidatos presidenciais Catarina Martins, António Filipe e Jorge Pinto, apoiados respetivamente por BE, PCP e Livre, juntaram-se hoje à marcha nacional convocada pela CGTP manifestando-se contra o pacote laboral do Governo PSD/CDS-PP e solidários com os trabalhadores. Lusa | 17:31 – 08/11/2025 Por outro lado, João Cotrim de Figueiredo defendeu que a flexibilização das leis laborais “terá que acontecer mais tarde ou mais cedo” e que é “absolutamente fundamental” que a lei seja flexível para “acomodar várias formas de trabalho”. “Basta pensar na forma absolutamente repentina a que está a acontecer a alteração de determinadas profissões. A existência e o aparecimento de algumas profissões, o desaparecimento de outras profissões, a alteração profunda da forma como se desempenham certas profissões, tudo isto vai acontecer a uma velocidade muito mais rápida, atrevo-me a dizer, do que a própria lei conseguirá acompanhar”, disse o candidato presidencial à Lusa. O candidato presidencial João Cotrim Figueiredo defendeu hoje que a flexibilização das regras laborais “terá que acontecer mais tarde ou mais cedo” e que é “absolutamente fundamental” que a lei seja flexível para “acomodar várias formas de trabalho”. Lusa | 19:52 – 08/11/2025 Já o candidato a Belém António José Seguro apelou ao Governo para retomar o diálogo com as centrais sindicais para, desta forma, tentar evitar uma greve geral. “O apelo que eu faço e dirijo é ao Governo, no sentido de tomar iniciativas de modo a que o diálogo volte a existir, que sejam tidas em conta as propostas que os trabalhadores, através dos seus representantes, têm apresentado e que se evite a realização desta greve geral, que naturalmente terá consequências negativas para o país”, referiu, em declarações aos jornalistas, em Guimarães. O candidato presidencial António José Seguro apelou hoje ao Governo para retomar o diálogo com as centrais sindicais, para tentar evitar a greve geral anunciada para 11 de dezembro. Lusa | 19:33 – 08/11/2025 Afinal, o que diz o anteprojeto do Governo para revisão da legislação laboral? O anteprojeto do Governo para revisão da legislação laboral, que está a ser debatido com os parceiros sociais, prevê a revisão de “mais de uma centena” de artigos do Código de Trabalho. As alterações previstas na proposta – designada Trabalho XXI e que o Governo apresentou em 24 de julho como uma revisão “profunda” da legislação laboral – visam desde a área da parentalidade (com alterações nas licenças parentais, amamentação e luto gestacional) ao trabalho flexível, formação nas empresas ou período experimental dos contratos de trabalho, prevendo ainda um alargamento dos setores que passam a estar abrangidos por serviços mínimos em caso de greve. Fique a par das principais propostas do Governo para a legislação laboral, desde a revogação do luto gestacional às mudanças no horário flexível para trabalhadores com filhos com menos de 12 anos ou deficiência. Márcia Guímaro Rodrigues com Lusa | 17:44 – 01/08/2025 Leia Também: Milhares de trabalhadores marcham contra pacote laboral “do patrão”



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